O Kremlin afirmou nesta segunda-feira que não vai diminuir o ritmo de sua ofensiva contra a Ucrânia, apesar das negociações mediadas pelos Estados Unidos para encerrar o conflito no Leste Europeu, mas indicou que poderia concordar com o estabelecimento de "cessar-fogos humanitários" de caráter limitado.
Contexto: Zelensky diz que haverá reunião entre Ucrânia, Rússia e EUA em novembro depois de paralisação nas negociações Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Quer morar fora? Guia interativo reúne informações sobre 36 países — A decisão de retomar as negociações trilaterais não implica nenhuma restrição às operações de combate — afirmou o porta-voz da Presidência da Rússia, Dmitri Peskov.
— Nossas Forças Armadas continuarão realizando ataques em grande escala contra o complexo militar-industrial da Ucrânia. Autoridades russas e ucranianas confirmaram que delegações dos dois países devem se reunir em novembro, na presença de representantes dos EUA, para discutir formas de encerrar o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Em uma entrevista no domingo, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que Kiev está pronta "para conversar", e que qualquer "questão territorial" deveria ser tratada em "nível de liderança" — uma menção que reacende a demanda ucraniana para um encontro pessoal entre Zelensky e o presidente russo, Vladimir Putin.
Várias rodadas de negociações anteriores não conseguiram aproximar as partes de um acordo. A Rússia exige mais territórios no leste da Ucrânia, além de restrições militares e políticas abrangentes para Kiev.
A Ucrânia e seus aliados argumentam que tais exigências equivalem a uma capitulação. Quanto à situação da frente de combate, uma trégua de curta duração foi estabelecida ao longo da frente de batalha em Oleshky, cidade ocupada pela Rússia e severamente devastada — uma medida articulada pela primeira-dama dos EUA, Melania Trump, após meses de relatos de que os moradores enfrentam escassez crítica de alimentos, água e medicamentos.
Ao ser questionado se Moscou consideraria outras tréguas no mesmo estilo, Peskov, respondeu aos jornalistas que "para fins humanitários, com certeza". Nas últimas semanas, a Rússia intensificou os ataques com drones e mísseis contra a Ucrânia, atingindo instalações de energia nos arredores de grandes cidades — uma estratégia que, segundo Kiev, visa mergulhar o país no frio e na escuridão durante todo o inverno.
No ano passado, ataques semelhantes deixaram milhões de pessoas sem aquecimento ou eletricidade, sob temperaturas que chegaram a -20°C. (Com AFP)
O Globo