Rússia afirma que houve progresso para um acordo de paz com a Ucrânia

 

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A Rússia defendeu nesta quinta-feira (5) que as conversas entre o país e a Ucrânia em Abu Dhabi, nos Emirados Arábes Unidos, apresentou diversos avanços positivos para um acordo de paz em breve.

A avaliação é do enviado do presidente russo Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, para as negociações. Segundo declaração à mídia estatal, ele comentou que 'as coisas estão avançando em uma direção boa e positiva'.

As reuniões entre as duas nações prosseguem nesta quinta, após um primeiro dia nessa quarta (4).

O principal ponto de discórdia é o destino a longo prazo do território no leste da Ucrânia. O governo ucraniano sempre rechaçou entregar parte dos territórios, mas já aceita isso atualmente. No entanto, os russos defendem que seja uma fatia maior do que está sendo proposto.

Moscou exige que Kiev retire suas tropas de vastas áreas do Donbas, incluindo cidades fortemente fortificadas situadas sobre extensos recursos naturais, como condição prévia para qualquer acordo. Também exige o reconhecimento internacional de que as terras tomadas na invasão pertencem à Rússia.

Kiev afirmou que o conflito deve ser congelado ao longo da atual linha de frente e rejeitou uma retirada unilateral de forças.

As negociações acontecem em meio a ataques devastadores da Rússia contra a infraestrutura energética ucraniana. Foram cerca de 450 drones e 70 mísseis. A informação foi revelada pelo ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha.

'Nem os esforços diplomáticos previstos em Abu Dhabi esta semana, nem as promessas aos Estados Unidos impediram [a Rússia] de continuar a aterrorizar pessoas comuns no inverno mais rigoroso', escreveu ele nas redes sociais.

Destruição na cidade de Kharkiv, na Ucrânia, após ataque com drones da Rússia.

Foto por SERGEY BOBOK / AFP

A proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos, que será discutida dentro do encontro desta quarta (4) envolve diretamente os parceiros europeus do país, assim como um apoio dos EUA. O plano prevê o envolvimento progressivo de forças europeias e, em caso de violações repetidas, apoio militar direto dos EUA.

As informações são de uma reportagem do jornal Financial Times.

O plano começaria com o destacamento de uma força de dissuasão liderada pela Europa, apoiada por logística e inteligência dos EUA. Em caso de escalada, uma segunda fase seria acionada, envolvendo a Frente Popular da Ucrânia (Willing) e, por fim, uma resposta militar coordenada com participação direta dos EUA.

A ideia é, inicialmente, manter uma maior tranquilidade e distanciamento após um final da guerra. O envolvimento viria apenas em caso de necessidade.

A Rússia afirmou nesta segunda-feira (2) que segue 'aberta a negociações' com a Ucrânia sobre a guerra. Segundo declaração do porta-voz do governo, Dmitry Peskov, houve progressos de algumas questões e as divergências diminuíram.

Apesar disso, ele defende que se trata um 'processo complexo e multifacetado'.

'Em algumas questões, fizemos progressos porque houve discussões e conversas. Em algumas questões, é mais fácil encontrar um terreno comum. Existem questões em que é mais difícil encontrar um consenso. Não é possível fazer nenhum progresso nessas áreas ainda', disse em uma coletiva de imprensa.

Ele completou comentando que uma negociação para o fim da guerra até pode acontecer. Porém, o presidente russo, Vladimir Putin, possui uma condição: a necessidade de ocorrerem em Moscou, capital da Rússia.

Prédio destruído após novo ataque da Rússia contra a Ucrânia.

AFP