Delegada confirma que Orelha aparece em vídeo apresentado por defesa, mas diz que cão já estava ferido: 'Dá titubeada'

 

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A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou que o cão comunitário Orelha aparece em um vídeo apresentado pela defesa do adolescente apontado como autor da agressão que levou à morte do animal, mas afirmou que as imagens não contradizem a investigação. Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, responsável pelo caso, o cachorro já estava ferido quando foi registrado pelas câmeras na manhã de 4 de janeiro, e a lesão evoluiu gradualmente até o óbito, ocorrido durante atendimento veterinário no dia seguinte.

As imagens, gravadas por câmeras de segurança do condomínio Águas da Brava, na Praia Brava, em Florianópolis, mostram o animal caminhando pela via por volta das 7h da manhã. A defesa sustenta que o vídeo indicaria que Orelha não apresentava ferimentos aparentes após o horário apontado pela polícia como o da agressão. A Polícia Civil, no entanto, afirma que o material já era conhecido e analisado no inquérito.

— A Polícia Civil confirma que é o cão Orelha, o animal que aparece saindo de trás de uma moita, em frente ao condomínio Águas da Brava, no início da manhã do dia 4 — disse a delegada.

De acordo com Mardjoli Valcareggi, desde o início da apuração a corporação nunca sustentou a versão de que o animal teria sido agredido até a morte de forma imediata. A delegada afirmou que depoimentos de testemunhas, da pessoa que socorreu o cão no dia 5 de janeiro e do médico veterinário que realizou o atendimento indicam que a agressão ocorreu dias antes do óbito.

— Se confirmou a versão de que essa lesão veio a evoluir ao longo dos dias. O profissional informou não se tratar de uma lesão imediata. Que esse animal havia sido agredido há cerca de dois dias, com um golpe na região da cabeça, e essa lesão evoluiu e ele veio a óbito durante o atendimento — afirmou.

Segundo a delegada, o vídeo apresentado pela defesa mostra Orelha já com sinais compatíveis com o início do quadro clínico que levaria à morte.

— Nós podemos perceber que ele dá uma titubeada, e ao longo daquele período, até receber o atendimento do médico veterinário, ele evolui o quadro e vem a óbito — disse.

Vídeo não altera investigação

A Polícia Civil informou que tem conhecimento do vídeo, que ele integra um inquérito paralelo sobre coação envolvendo adultos e que sua existência não muda as conclusões da investigação principal. O inquérito que apurou a morte de Orelha foi concluído nesta terça-feira, com pedido de internação do adolescente apontado como autor da agressão, e encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário.

A defesa do jovem alega que as imagens mostram o cachorro circulando sem qualquer comprometimento físico aparente cerca de uma hora após o horário em que a polícia situa a agressão. Para os advogados, o vídeo reforçaria a fragilidade do caso e a inexistência de provas diretas que liguem o adolescente ao ataque.

A Polícia Civil, por sua vez, afirma que a cronologia das imagens é compatível com a evolução da lesão descrita nos laudos e nos depoimentos colhidos ao longo da apuração. Segundo o relatório de investigação, Orelha saiu de sua casinha por volta das 5h18 do dia 4 de janeiro, percorreu a região da praia e permaneceu por cerca de uma hora em frente ao condomínio Águas da Brava, caminhando lentamente, antes de retornar em direção à casinha.

Apuração reuniu imagens, laudos e depoimentos

A investigação sobre a morte do cão comunitário analisou mais de mil horas de imagens de 14 câmeras de segurança, ouviu 24 testemunhas e utilizou dados de geolocalização obtidos por meio de um software estrangeiro. A Polícia Científica concluiu que Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou por um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa.

Segundo a Polícia Civil, o adolescente apontado como autor da agressão apresentou contradições em depoimento e teve sua versão confrontada por imagens de câmeras e relatos de testemunhas, que indicaram que ele estava fora do condomínio no horário estimado do ataque.

Além da morte de Orelha, a corporação também concluiu a investigação sobre maus-tratos ao cão Caramelo, ocorridos no mesmo dia, e indiciou três adultos por coação a testemunha relacionada ao caso. Por envolver menores de idade, nomes e detalhes que permitam a identificação dos envolvidos não foram divulgados, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).