Rússia acusa EUA e Israel de 'tentarem arrastar' países árabes para a guerra com o Irã

 

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O Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou os Estados Unidos e Israel nesta quinta-feira (5) de 'tentarem arrastar' as nações árabes para a guerra com seus ataques ao Irã.

Segundo o país, que defendeu a criação de um conselho de paz para o fim do conflito, não há sinais de desescalada na guerra.

'Eles provocaram deliberadamente o Irã a realizar ataques retaliatórios contra alvos em alguns países árabes, o que resultou em perdas humanas e materiais, as quais o lado russo lamenta profundamente'.

'Ao fazer isso, (os EUA e Israel) estão tentando arrastar os árabes para uma guerra que atenda aos interesses de terceiros', afirmou o comunicado.

O ministério defendeu que o único caminho para uma maior desestabilização seria interromper os ataques ao Irã, mas não havia, por enquanto, sinais de que isso estivesse acontecendo.

Além disso, russos revelaram que Irã não pediu ajuda militar, segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, citado pela agência de notícias Tass.

Irã afirma que atacou 'grupos separatistas' que pretendiam entrar por fronteira

Destruição no Irã após ataques dos EUA e de Israel.

AFP

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (5), o Ministério da Inteligência do Irã afirmou que atacou na região das fronteiras ocidentais 'grupos separatistas' que pretendiam entrar no país. Segundo o governo iraniano, esses grupos sofreram 'pesadas baixas'.

A imprensa americana vem destacando que milícias curdas iranianas têm consultado os EUA esta semana sobre a possibilidade e a forma de atacar as forças de segurança do Irã na região oeste do país.

Um dos veículos que abordou o tema foi a agência de notícias Reuters, ouvindo ao menos três pessoas de importância dentro do governo americano.

Autoridades afirmaram para o jornal The Wall Street Journal que Trump conversou com líderes curdos no Irã no domingo (1) e está em contato constante com outros líderes que poderiam se aproveitar da fragilidade do regime.

Segundo o relatório, os curdos possuem forças significativas ao longo da fronteira entre o Iraque e o Irã, e os bombardeios israelenses contra posições no oeste do Irã alimentaram especulações de que o país estaria buscando abrir caminho para um avanço curdo.

Sobre o caso, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump conversou com 'muitos parceiros regionais', mas sem mencionar.

A declaração do ministério iraniano, divulgada pela mídia estatal, afirmou que as forças iranianas estão cooperando com os 'nobres curdos' para frustrar o plano 'israelense-americano' de atacar território iraniano.

Senado dos EUA rejeita ação que impediria novos ataques de Trump ao Irã

Presidente Donald Trump em discurso no Congresso dos EUA.

Kenny HOLSTON / POOL / AFP

O Senado dos Estados Unidos rejeitou uma resolução que pretendia exigir que o presidente Donald Trump buscasse aprovação do Congresso para futuras ações militares contra o Irã. A resolução que poderia impor limites à ofensiva liderada pelo republicano foi derrotada por 53 votos a 47.

A votação ocorreu no quinto dia de conflito, enquanto a Casa Branca anunciava a expansão da zona de guerra.

Segundo os Estados Unidos, um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, no Oceano Índico, matando 87 pessoas.

Os Estados Unidos dizem que já atacaram ou afundaram mais de 20 navios do Irã.

Em novo discurso na Casa Branca, Trump acrescentou que a campanha militar destruiu significativamente o arsenal de mísseis iranianos.

A Casa Branca emitiu um comunicado elencando os quatro objetivos contra o Irã: destruir a marinha do país persa; eliminar mísseis balísticos; garantir que os representantes iranianos na região não possam mais prejudicar os americanos e impedir Teerã de ter uma arma nuclear.

Nessa quarta (4), a Guarda Revolucionária do Irã lançou uma nova onda de ataques com mísseis e drones contra Israel.

O clérigo sênior do governo de Teerã, Javadi Amoli, foi à TV e fez ameaças a Trump, pedindo derramamento de sangue ao convocar muçulmanos xiitas a aderir ao conflito.

O regime do Irã anunciou que Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei e um dos principais cotados para a sucessão, está vivo.

O Conselho dos Especialistas, órgão responsável por eleger a nova liderança do país, afirmou estar perto de uma escolha.

Em meio aos bombardeios, o funeral do líder supremo, que estava marcado para essa quarta-feira (4), foi adiado.