Ruas define equipe de transição de governo com nomes que devem assumir secretarias do primeiro escalão e outras áreas; entenda

Ruas define equipe de transição de governo com nomes que devem assumir secretarias do primeiro escalão e outras áreas; entenda - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A equipe de transição anunciada pelo governador eleito do Rio, Douglas Ruas (PL), nesta segunda-feira, começa a desenhar o perfil e a estrutura da futura administração estadual. Entre os quatro nomes oficializados, há integrantes que já são cotados, nos bastidores, para ocupar postos estratégicos no primeiro escalão, em um governo que deve apostar no enxugamento da máquina pública. Ruas tem sinalizado a aliados que pretende reduzir o número de secretarias estaduais de 30 para pelo menos 21, com a unificação de pastas e a reorganização de áreas da administração. Polícia Civil investiga: Morte de tio de filho de cantora gospel expõe divergência na família sobre o caso Indícios de superfaturamento: TCE-RJ suspende contrato entre Governo do Rio e plataforma educacional por suspeita de irregularidades na gestão Castro A composição da equipe, publicada no Diário Oficial do Poder Executivo, reúne nomes próximos ao governador eleito e com experiência em diferentes áreas da gestão pública e da articulação política. O grupo será coordenado por Maria Gabriela Bessa, atual secretária estadual das Cidades, e terá ainda Bruno Bonetti, presidente municipal do PL; Fábio Araújo, conhecido como Fabinho, aliado próximo de Ruas; e Anderson Monteze, assessor especial de Orçamento e Finanças da presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O decreto estadual permite que Ruas indique até cinco integrantes para a equipe de transição. Até o momento, quatro foram oficializados. A vice-governadora eleita, Fernanda Louback, que já havia sido anunciada como a primeira integrante do futuro secretariado, também participará dos trabalhos. Ela foi indicada para comandar a Secretaria de Estado de Inclusão e da Mulher. Quem é Gisele Nascimento: Conheça a família gospel por trás da cantora envolvida em tragédia no Rio Bessa e Monteze podem ficar à frente de áreas integradas Nos bastidores do PL, Gabriela Bessa é chamada de “gerente do governo”, em referência ao papel de organização e articulação que desempenha. Interlocutores do governador eleito apontam que ela é cotada para assumir a Casa Civil, uma das posições centrais na coordenação da administração estadual. Maria Gabriela Bessa foi anunciada como coordenadora da equipe de transição do novo governo Divulgação Ao lado dela, Anderson Monteze aparece como possível responsável pela área de planejamento. A interlocutores do partido, Ruas tem sinalizado a intenção de aproximar as duas estruturas, com a possibilidade de unificar as pastas. Nesse desenho, Bessa e Monteze poderiam continuar trabalhando juntos, agora no comando de áreas integradas da administração. Monteze é graduado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em Gerenciamento de Projetos pelo Ibmec. Ao longo da carreira, atuou na Secretaria Nacional de Segurança Pública e na Casa Civil do governo estadual durante a gestão de Cláudio Castro. Também foi diretor de Concursos e Processos Seletivos da Fundação Ceperj. A partir de um telefone apreendido: Conversa obtida pela polícia mostra fornecedor do CV cobrando dívida de chefe da facção preso e citando Fernandinho Beira-Mar Tripla jornada na Secretaria de Governo Outro integrante da equipe de transição com perspectiva de ocupar uma posição de destaque é Bruno Bonetti. Presidente municipal do PL no Rio e um dos principais articuladores da campanha de Ruas, ele é cotado para assumir a Secretaria de Governo (Segov). Bruno Bonetti Fernando Fidelis A ideia discutida nos bastidores é reunir sob sua influência, a articulação política do Executivo fluminense com a interlocução do governo federal e o Congresso Nacional. O desenho em estudo prevê que Bonetti também possa assumir o posto de secretário extraordinário de Representação do Estado em Brasília— vaga antes ocupada por André Moura no governo Cláudio Castro —, além da comunicação do Palácio, concentrando funções consideradas estratégicas. Primeiro suplente do senador Romário (PL), Bonetti é visto por aliados como um dos nomes de confiança de Ruas para a condução das negociações políticas.

Flagrante: Visitantes são presos ao tentar entrar em presídio da Zona Oeste do Rio com maconha e haxixe escondidos em porções de carne e feijão Gabinete do governador Já Fábio Araújo, o Fabinho, é um dos aliados que acompanham a trajetória recente de Ruas. Próximo à família do governador eleito, ele passou quase cinco anos na Secretaria municipal de Governo de São Gonçalo, durante a gestão do prefeito Capitão Nelson, pai de Ruas. Em 2025, deixou a prefeitura para acompanhar o aliado na Secretaria estadual das Cidades, onde permaneceu até a eleição. A expectativa é que continue ao lado de Ruas na nova administração, como assessor de gabinete.

Investigação: PF encontra conexões entre cartel de postos de combustíveis no Rio e empresas associadas ao PCC investigadas na Carbono Oculto Superpasta de infraestrura Fora do grupo oficial de transição, outros nomes circulam nas conversas sobre a formação do secretariado. Um deles é o do deputado estadual Guilherme Delaroli (PL), atual vice-presidente da Mesa Diretora da Alerj, que passou a ser cotado para comandar uma superpasta de Infraestrutura. DEPUTADO GUILHERME DELAROLI Marcelo Theobald Uma das propostas em discussão é reunir a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras Públicas (Seiop), a Secretaria das Cidades e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), autarquia estadual, sob um mesmo comando. A medida concentraria estruturas hoje separadas e se alinharia à intenção de Ruas de reduzir o número de secretarias e reorganizar a máquina administrativa. É nesse cenário que o nome de Delaroli ganhou força nos bastidores. A eventual indicação também o colocaria à frente de uma área com atuação sobre obras públicas, intervenções urbanas e rodovias estaduais. Reforma na segurança A área de Segurança Pública também está no centro das discussões sobre o formato que deve ter no próximo governo. Ruas estuda devolver à Secretaria de Segurança o papel central no planejamento e na coordenação das ações das polícias Civil e Militar, alterando o modelo atualmente em vigor. A proposta estudada nos bastidores prevê que as duas corporações deixem de ter status de secretarias, com seus futuros comandantes subordinados ao secretário de Segurança. A intenção é concentrar a coordenação estratégica das forças policiais em uma única estrutura, com maior capacidade de integração das ações. Secretário de Segurança Pública, Victor César dos Santos, em coletiva sobre show da Madonna. Ao seu lado, os secretários de PM (Marcelo Menezes) e de Defesa Civil (Leandro Monteiro) Rafael Campos / Governo do Estado do RJ O modelo remete, em parte, ao formato anterior às mudanças promovidas pelo ex-governador Wilson Witzel, que extinguiu a Secretaria de Segurança em 2019. A pasta foi recriada por Cláudio Castro em 2023, mas, na avaliação de aliados de Ruas, não recuperou o protagonismo que tinha antes da reorganização. A proposta, contudo, enfrenta resistência dentro do próprio PL. Segundo interlocutores do partido, delegados e integrantes das polícias Civil e Militar ligados à legenda temem perder espaço político e administrativo caso as corporações deixem de ter estruturas com status de secretaria. Esses grupos tentam convencer o governador eleito a manter o modelo atual, com três secretarias: a de Segurança e as estruturas próprias das duas polícias. Ruas, no entanto, diz que só baterá o martelo após o resultado do segundo turno. Para aprender os passinhos do charme: Nova plataforma leva os bailes para dentro de casa Baixada Fluminense pode estar à frente da pasta da Saúde Na Saúde, o nome que ganha força é o do deputado federal eleito Jorge Miranda, ex-prefeito de Mesquita. A possibilidade de indicação é associada à reestruturação da atenção básica promovida durante sua gestão municipal, entre 2017 e 2024. Em que, de acordo com aliados, promoveu uma reestruturação tecnológica na saúde do município, além da criação d,me 11 novas clínicas focadas no atendimento preventivo. Jorge Miranda (PL), deputado federal eleito e ex-prefeito de Mesquita Cléber Júnior / Agência O Globo A eventual escolha, porém, enfrenta ressalvas internas, segudo fontes do PL. Em 2025, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) condenou Miranda, um ex-secretário municipal de Saúde e uma empresa ao pagamento de R$ 32,3 milhões aos cofres públicos, em decisão à revelia relacionada a irregularidades em contratos da área. O episódio é visto por fontes próximas a Ruas como um fator que pode gerar resistência à indicação pelo alto escalão do PL.

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