Roubo de vans em São Paulo resiste em meio a queda geral de veículos; veja marcas mais roubadas
A cidade de São Paulo registrou um crescimento no número de roubos de um modelo específico de van nos últimos três anos. É o que revelam os dados do Mapa do Crime, ferramenta interativa do GLOBO que traz dados sobre crimes cometidos na capital paulista. O crescimento de assaltos a Renault Master vai na contramão dos dados de roubos contra demais veículos, que registraram queda ano ano passado.
CLIQUE AQUI E VEJA NO MAPA DO CRIME A SITUAÇÃO DOS ROUBOS NA SUA RUA
Os roubos a vans e utilitários também registraram uma queda bem menos acentuada que os veículos em geral. Entre 2023 e 2025, o roubo de veículos caiu 46% na capital paulista, contra uma queda de 16% no setor de vans e utilitários, com 606 casos no ano passado.
A Renault Master ocupou a posição de liderança entre as vans mais roubadas, com mais de 500 ocorrências registradas no período entre 2023 e 2025 — no ciclo, o ano passado foi o recordista de casos, com 185 notificações de roubos feitas à polícia, 17% a mais que em 2023, e um crescimento constante nos últimos três anos.
Outros modelos com número relevante de casos são a Mercedes-Benz Sprinter, com 94 casos, a Fiat Ducato, com 75 casos e a Iveco Daily, com 43 casos, mas que registraram queda ou estabilidade nos casos.
Na categoria dos utilitários, uma opção popular para uso de transporte de carga é a Fiorino, que apesar de viver uma queda constante no número de roubos registrados, ainda representa uma fatia considerável dos roubos. No período analisado, o veículo foi alvo de criminosos em mais de 400 vezes, sendo 2025 o ano com os menores registros, com 112 ocorrências.
Nos locais de maior incidência de roubos a esses veículos a Rodovia Ayrton Senna — na Zona Leste da cidade — é a campeã, com 26 casos reportados somente em 2025. Em seguida estão a Estrada do M'Boi Mirim, na Zona Sul, com sete casos, e a Avenida Jacu-Pêssego, na Zona Leste, com seis roubos.
Do desmanche ao roubo de cargas
Para o especialista Rodrigo Boutti, os casos estão associados a dois tipos de dinâmica de assalto: o desmanche para venda de peças no mercado ilegal e o roubo de cargas. Segundo ele, o fenômeno de crescimento do e-commerce após a pandemia é um dos motores deste cenário.
— O aumento das atividades autônomas em delivery motivou o crescimento também da frota de veículos vans/utilitários que realizam roteiros diários porta a porta com entregas do e-commerce. Portanto, a procura por peças de reposição também aumenta e, infelizmente, o consumo de peças sem origem e mais baratas é igualmente alavancado, motivando roubos e furtos para desmanche e venda das peças no mercado ilegal — afirmou Rodrigo Boutti.
Rodrigo também explica o funcionamento dos casos de roubos de cargas. Ele conta que muitas das vezes, em casos de subtração de volumes, os motoristas dos veículos são sequestrados, justamente para evitar a detecção da polícia e realizar o transporte das cargas roubadas.
— Existe o fator carga, sim. Muitas vezes há sequestro dos motoristas, tendo em vista que muitos desses veículos utilizados para transporte de cargas precisam ser rastreados para garantir a cobertura securitária. Desta forma, os bandidos precisam de "tempo" sem aviso da ocorrência para fazer o devido transbordo das cargas e, por isso, seguram o motorista até a finalização — diz ele
— Normalmente, ao término das ações dos bandidos, o motorista é solto e a van é abandonada em uma outra região. Porém, nada impede que seja repassado a um outro tipo de quadrilha, que são as de desmanches — afirma Boutti.
O que é o Mapa do Crime de São Paulo?
O Mapa do Crime de São Paulo foi produzido a partir de microdados de 330 mil boletins de ocorrência disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado. Ao contrário do Rio, São Paulo torna públicas as coordenadas e os nomes das ruas das ocorrências. O levantamento cobre roubos ocorridos entre 2023 e 2025. Diferentemente do governo paulista, O GLOBO usou a data do fato — e não a do registro na polícia. Assim, um roubo ocorrido em 31 de dezembro e registrado no dia seguinte é contabilizado no ano correto. Erros de grafia e inconsistências nos dados foram corrigidos com auxílio de inteligência artificial.
Disponível no site do jornal, com acesso pelo computador, celular ou tablet, a ferramenta permite navegar por uma compilação inédita de dados de roubos na capital, com filtros sobre tipos, marcas e cores dos bens subtraídos.
Para usá-la, busque o endereço da sua casa, do trabalho ou de qualquer outro ponto da cidade e escolha um dos quatro tipos de crime disponíveis: roubo de celular, de carro, de moto e de rua — esse último inclui carteiras, colares, alianças e relógios levados de pedestres. Cada ponto no mapa corresponde a uma ocorrência e, ao ser clicado, mostra detalhes do crime e dados sobre a rua: total de casos em 2025, série histórica dos últimos três anos, bens mais roubados ali e um mapa de calor com horários e dias de maior incidência. Também é possível refinar as buscas por tipo, marca e cor do bem roubado — para descobrir, por exemplo, quantos HB20 brancos foram roubados em determinada via — ou navegar por um ranking de ruas.
