Roubo de celular piora na Zona Sul de São Paulo: veja os bairros que concentram casos
Um cinturão formado por três distritos num raio de apenas dois quilômetros na Zona Sul é o novo epicentro dos roubos de celular em São Paulo, segundo dados da ferramenta interativa Mapa do Crime, do GLOBO. Enquanto os casos caíram em quase toda a região do Centro expandido, que antes era o eixo com a maior concentração de ocorrências, os vizinhos Capão Redondo, Jardim Herculano e Parque Santo Antônio, na periferia, sofreram com a explosão de assaltos em 2025: juntos, eles registraram 4.852 roubos, 14% a mais do que no ano anterior.
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O Jardim Herculano foi o distrito da capital com o maior aumento percentual no número de roubos de celular: 37,1%, de 782 em 2024 para 1.072 no ano passado. O avanço levou o local da 23ª colocação no ranking de distritos com mais ocorrências para o 9º lugar. No Parque Santo Antônio, a alta de 23,7% (de 1.172 para 1.450) alçou a região à quarta posição. O campeão, no entanto, é o vizinho Capão Redondo, que pulou do segundo para o primeiro lugar após registrar um aumento de 1,57% e chegar aos 2.330 registros. Os três distritos da Zona Sul são os únicos entre os dez primeiros da lista onde houve aumento nos roubos de celular — em toda a capital, por outro lado, os casos caíram 15,5%, de 59.974 para 50.692.
O símbolo do avanço do crime por ali é a Estrada do M'Boi Mirim, mais importante via da região, que abriga o terminal de ônibus de Jardim Ângela e o Hospital municipal M'Boi Mirim, referência para pacientes de toda a Zona Sul. Em 2023, a estrada, que tem circulação intensa de carros e pedestres, sequer figurava entre as dez vias com mais roubos de celular da cidade. No ano seguinte, chegou à sétima posição e, em 2025, passou a ocupar o quarto lugar, com 201 registros.
Mapa do crime de SP
Editoria de arte / O GLOBO
No novo eixo do roubo de celular em São Paulo, foi a escalada no número de iPhones levados pelos criminosos que puxou os números para cima. No Jardim Herculano, os casos quase dobraram: passaram de 171 para 333 em 2025. Já no Parque Santo Antônio e no Capão Redondo, os aumentos foram de, respectivamente, 63,9% e 45,4%. Neste último, foi justamente a explosão de casos com iPhones que determinou o aumento no total de roubos de celulares no distrito, uma vez que ocorrências envolvendo outras marcas despencaram: roubos de aparelhos da Samsung caíram 20,5%, e os da Motorola, 19,1%.
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O avanço dos roubos de iPhone no corredor da Zona Sul contrasta, sobretudo, com as quedas nos casos envolvendo celulares da marca no Centro expandido — que foram cruciais para a retração do total de roubos de celular na cidade. Na Consolação, por exemplo, as ocorrências caíram 32% (de 912 para 619), e nos Campos Elíseos, 23,7%. Já a Avenida Paulista, vitrine de um programa de intensificação do policiamento que envolve tanto o governo quanto a prefeitura, testemunhou uma queda de 56% nos roubos de iPhone (197 para 86) — com a queda, a via, que em 2023 era o logradouro com mais roubos de aparelhos da Apple de São Paulo, hoje ocupa só a sétima posição do ranking.
Mapa do crime de SP
Editoria de arte / O GLOBO
Questionada pelo GLOBO sobre os aumentos de casos envolvendo iPhone nos distritos da Zona Sul, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) respondeu, em nota, que as análises estatísticas das polícias paulistas “não são estruturadas por marca ou modelo de aparelho”.
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“Sempre que são identificadas variações nos indicadores criminais, inclusive em regiões periféricas, há reavaliação operacional, com possíveis reforços de policiamento, ajustes no patrulhamento e intensificação de investigações, conforme a necessidade local”, diz a pasta.
Sobre ações contra receptadores dos aparelhos, o delegado Daniel Borgues, da 1ª Delegacia Seccional (Centro), indicado pela SSP para responder sobre o assunto, alegou que a Polícia Civil realiza operações de supressão de pontos de comércio ilegal de componentes eletrônicos e também tem focado em mapear rotas, intermediários e organizações envolvidas no escoamento ilegal de celulares para outros países.
Já a prefeitura de São Paulo informa que a Guarda Civil Metropolitana realiza ações com foco no reforço do patrulhamento preventivo, “especialmente nas zonas Sul e Leste”.
O que é o Mapa do Crime de São Paulo?
O Mapa do Crime de São Paulo foi produzido a partir de microdados de 330 mil boletins de ocorrência disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado. Ao contrário do Rio, São Paulo torna públicas as coordenadas e os nomes das ruas das ocorrências. O levantamento cobre roubos ocorridos entre 2023 e 2025. Diferentemente do governo paulista, O GLOBO usou a data do fato — e não a do registro na polícia. Assim, um roubo ocorrido em 31 de dezembro e registrado no dia seguinte é contabilizado no ano correto. Erros de grafia e inconsistências nos dados foram corrigidos com auxílio de inteligência artificial.
Disponível no site do jornal, com acesso pelo computador, celular ou tablet, a ferramenta permite navegar por uma compilação inédita de dados de roubos na capital, com filtros sobre tipos, marcas e cores dos bens subtraídos.
Para usá-la, busque o endereço da sua casa, do trabalho ou de qualquer outro ponto da cidade e escolha um dos quatro tipos de crime disponíveis: roubo de celular, de carro, de moto e de rua — esse último inclui carteiras, colares, alianças e relógios levados de pedestres. Cada ponto no mapa corresponde a uma ocorrência e, ao ser clicado, mostra detalhes do crime e dados sobre a rua: total de casos em 2025, série histórica dos últimos três anos, bens mais roubados ali e um mapa de calor com horários e dias de maior incidência. Também é possível refinar as buscas por tipo, marca e cor do bem roubado — para descobrir, por exemplo, quantos HB20 brancos foram roubados em determinada via — ou navegar por um ranking de ruas.
