Rótulo-sensação e o poder dos brancos: veja como foi o primeiro dia do Vinhos de Portugal em São Paulo
“Vim provar o Principal”, dizia um visitante, de taça na mão, ao se aproximar do estande da Fladgate Still. Logo depois dele, chegavam outros. Principal, no caso, é o nome de um tinto premium da região da Bairrada, cuja safra 2013 foi servida para degustação e se tornou uma das sensações do primeiro dia da 13ª edição do Vinhos de Portugal, que começou na quinta-feira em São Paulo. O evento negue até domingo, no terceiro andar do Shopping JK Iguatemi. Os ingressos estão disponíveis no site: vinhosdeportugal.com.br
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A safra ainda não chegou ao mercado, mas custará entre R$1.400 e R$1.500 para o consumidor final.
— O Principal é um super português, um blend típico de Bordeaux, com Cabernet Sauvignon e Merlot ao qual acrescentamos uma uva autóctone, a Touriga Nacional — comentava com o público Gustavo Monteiro, diretor comercial. A The Fladgate Parternship é uma das maiores empresas de vinhos de Portugal e opera em 105 países.
Mas, assim como ela, outras vinícolas trouxeram vinhos premium para que o público conhecesse safras e rótulos novos no salão de degustação que reuniu mais de 700 rótulos de 77 produtores. Uma das novidades era o Duas Famílias branco, um monovarietal com a uva folgosão, feito no Douro pela Santos & Seixos Wines.
O diretor de enologia Rui Lopes contava que trata-se de uma produção muito pequena, de apenas 600 garrafas, feita com vinhas antigas.
— Não é comum se usar essa uva sozinha, ela costuma ser utilizada em blends — explicou. O vinho que foi lançado durante o evento chegará ao mercado por R$ 390.
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Já o brasileiro Marcelo Villela e sua mulher Patricia Berardi, donos da Textura Wines, no Dão, e veteranos no evento, trouxeram 12 rótulos entre brancos, tintos e rosés, numa faixa de preço entre R$ 150 e R$ 850. O casal, que se instalou na região e começou a produzir em 2018, tem hoje em Portugal seu principal mercado, seguido pela Noruega e pelos Estados Unidos.
Patricia Berardi e Marcelo Villela, produtores e proprietários da Textura Wines
Rogerio Vieira/Valor
Ao comentar o aumento do consumo dos brancos, Villela disse que tudo o que produz de branco vende imediatamente, já os tintos demoram um pouco mais:
— A onda do branco é um tsunami, não tem volta. Hoje, a dieta das pessoas é mais leve o que combina mais com os vinhos brancos menos alcoólicos.
O poder dos brancos também foi tema da prova comandada por Jorge Lucki: “Soalheiro, 6 interpretações de Alvarinho”, que teve participação da proprietária da vinícola Maria João Cerdeira e da enóloga Asun Carballo. Ao falar da Quinta do Soalheiro, Lucki lembrou que ela sempre foi uma referência de Alvarinho, mas que a evolução dos brancos portugueses nos últimos anos é algo impressionante.
— Há dez anos poucos eram os brancos que tinham relevância e hoje há muitos e cada vez melhores.
Depois da prova, em conversa com o Valor, Maria João disse que não gosta de ser distinguida pelo fato de ser mulher:
— Sou formada em veterinária e fui educada para fazer tudo com rigor. Sempre participamos nos negócios da família e o fato de ser homem ou mulher nunca fez diferença.
A diferença que ela fez, ao começar a trabalhar na vinícola, foi exigir que todos os vinhos fossem orgânicos e certificados.
Para levar adiante essa tarefa, Maria João fez cursos de especialização durante cinco anos:
— Essa questão orgânica é toda apoiada na ciência, não é uma aventura ou uma moda, como muita gente pensa.
Entre os vinhos servidos, vários não estão à venda no Brasil e foram uma oportunidade única para os participantes da prova.
Neste ano, as provas ganharam um novo formato, com as mesas colocadas em U, o que criou um clima mais próximo. Um novo modelo também foi adotado na parte gratuita onde acontece o Tomar um copo, onde antigamente as pessoas seguravam a taça e agora a apoiam numa mesa grande recoberta com tampo de vidro. Nesse espaço, que fica próximo a estandes de regiões como Alentejo, Centro e Norte, que vieram falar de seu turismo, vários assuntos reuniram o público.
Numa das conversas participou o chef de cozinha Marcelo Corrêa Bastos, do Jiquitaia, por vários anos eleito o melhor restaurante brasileiro de São Paulo. Ao falar das harmonizações do vinho nas suas casas, disse que acaba usando sempre mais brancos, principalmente no Sororoca, um de restaurante especializado em frutos do mar, na Vila Madalena.
O Vinhos de Portugal segue por mais dois dias, com degustações, provas e conversas informais sempre regadas a um bom vinho. Muitos rótulos apresentados estão à venda numa loja montada no shopping e podem ser degustados no wine bar.
Os ingressos para o evento custam a partir de R$ 170 e estão disponíveis no site oficial: vinhosdeportugal.com.br
O Vinhos de Portugal 2026 é uma realização dos jornais O Globo, Valor Econômico e Público, em parceria com a ViniPortugal, com a participação do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto; apoio do Turismo de Portugal, das Comissões do Vinhos de Lisboa, Dão, Alentejo, Vinhos Verdes, Agências Regionais de Promoção Turística Centro de Portugal, do Porto e Norte e do Alentejo– Cofinanciados pela União Europeia através do Programa COMPETE 2030, Quinta do Paral, queijos Président e Granfino, água oficial Águas Prata, cia. aérea oficial TAP Air Portugal, local oficial Shopping JK Iguatemi (SP), Jockey Club Brasileiro (RJ) , loja oficial Woods Wine, assessoria de imprensa InPress Porter Novelli, promoção Clube O Globo, rádio oficial CBN e curadoria Out of Paper.
