Após novos confrontos com a polícia nesta sexta-feira, estudantes do Ensino Médio da França convocaram novas manifestações para a próxima terça-feira, motivados por reivindicações relacionadas às condições de ensino e à falta de recursos nas escolas. O movimento, que começou na região de Paris em setembro e se espalhou por todo o país, ocorre pouco mais de seis meses antes das eleições presidenciais, nas quais os eleitores escolherão o sucessor do presidente Emmanuel Macron. Contexto: Mais de 700 escolas de Ensino Médio são afetadas por protestos estudantis na França, que já deixaram ao menos 65 funcionários feridos Quer morar fora? Guia reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp França fecha 400 escolas de Ensino Médio em meio a protestos estudantis Segundo o Ministério da Educação, as manifestações impactaram pelo menos 735 dos 3.700 estabelecimentos de Ensino Médio do país nesta sexta-feira, dos quais cerca de 400 tiveram as atividades suspensas. Ao menos 65 funcionários da educação ficaram feridos durante os atos nos últimos dias, incluindo 40 diretores de escola. Quase 2 mil pessoas foram detidas em conexão com os protestos, 90% sendo menores de idade. O que querem os estudantes? O movimento estudantil começou na semana passada na região de Paris, mas rapidamente ganhou a adesão de estudantes em toda a França. Atos foram registrados em grandes cidades, como Nantes, Lille e Marselha.
Manifestantes seguram uma faixa com os dizeres "escola bloqueada" durante protestos estudantis em Lyon, no leste da França, em 2 de outubro de 2026 ALEX MARTIN/AFP Os alunos denunciam problemas como a escassez de professores e funcionários, salas superlotadas e instalações escolares em condições precárias, além de mudanças na organização da rotina escolar e no sistema de acesso ao Ensino Superior.
— Somos 35 alunos por turma, não temos cadeiras suficientes nas salas de aula, o intervalo de uma hora para o almoço é muito curto para que todos consigam comer — disse Kesia, de 15 anos, à Reuters no subúrbio parisiense de Pantin.
A mobilização ganhou força sobretudo após a apresentação da proposta de orçamento para 2027. Segundo a agência de notícias Reuters, o projeto prevê aumento de 1,7% nos recursos destinados à educação, percentual inferior à inflação. Sindicatos e estudantes afirmam que o reajuste não seria suficiente para responder aos problemas enfrentados pelas escolas. A polícia iniciou investigações internas após acusações de brutalidade contra manifestantes. O que diz o governo francês? O presidente Emmanuel Macron e alguns de seus principais ministros apontaram as demandas dos estudantes, na faixa etária entre 15 e 19 anos, são legítimas, mas condenaram a violência empregada. Desde o início dos protestos, manifestantes já bloquearam acessos às escolas, fizeram barricadas e, em alguns casos, colocaram fogo em veículos e entraram em confronto com a polícia.
No total, mais de 300 policiais e gendarmes ficaram feridos, assim como 170 alunos, e mais de 100 escolas secundárias sofreram "danos graves", disse o ministro da Educação Edouard Geffray. Ministro da Educação francês, Edouard Geffray LUDOVIC MARIN/AFP Geffray se reuniu com organizações estudantis na tarde de sexta-feira, e afirmou que, a partir da próxima semana, haverá um plano para "acelerar a substituição de professores ", prometendo também iniciar discussões a respeito dos calendários escolares, embora tenha reconhecido que "não poderá garantir para o início do ano letivo de 2027", devido às eleições presidenciais. Representantes dos estudantes, por sua vez, anunciaram que não obtiveram nenhuma "medida concreta" da reunião. Em qual contexto político ocorrem as manifestações? Os protestos ocorrem pouco mais de seis meses antes das eleições presidenciais, com o governo acusando o partido de extrema esquerda França Insubmissa (LFI), cujo líder, Jean-Luc Mélenchon, concorre novamente à Presidência, de estar por trás do movimento. O partido nega.
Manifestantes tocam fogo em lixeiras perto da Place de la Nation, em Paris Thomas Samson/AFP Diversos sindicatos franceses manifestaram seu apoio aos estudantes e convocaram seus membros a apoiá-los. A Federação Sindical Solidaires declarou em comunicado: "Não vamos deixar que atirem em nossas crianças. Os alunos do ensino secundário têm liberdade de reunião, associação e manifestação." Com AFP.
O Globo