Rogério Marinho quer expor votos da direita para derrotar Alcolumbre no Senado

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A disputa pelo comando do Senado em 2027 deverá ser marcada por uma ofensiva da oposição para constranger parlamentares de direita que cogitam apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição na Casa, pretende defender que os integrantes desse campo político tornem públicos seus votos, apesar de a eleição para a presidência do Senado ser realizada por votação secreta.

Segundo a Folha de São Paulo, Marinho considera a divulgação voluntária dos votos uma forma de impedir que senadores eleitos com apoio do bolsonarismo contribuam, sob o sigilo da votação, para a permanência de Alcolumbre no cargo. A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027.

“Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?”, afirmou Marinho ao jornal.

A estratégia será discutida pelos senadores do PL em uma reunião prevista para quarta-feira (4). A expectativa é que a bancada decida lançar a candidatura de Marinho à presidência da Casa, embora ainda existam divergências internas sobre a conveniência de enfrentar Alcolumbre.

Uma ala do partido considera que, após a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial, seria mais vantajoso negociar com o atual presidente do Senado para preservar espaços na estrutura de poder da Casa. Outra parcela da legenda defende uma candidatura própria, sustentando que a nova composição do Senado oferece condições para uma vitória da oposição.

Direita aposta em nova composição do Senado para conquistar presidência O crescimento da direita nas eleições ampliou as possibilidades de articulação contra Alcolumbre.

O PL terá 29 senadores, enquanto o Novo contará com outros três parlamentares, formando um bloco de 32 integrantes. Republicanos, PP, Podemos e PSDB somarão mais 15 senadores, grande parte deles eleita com apoio do bolsonarismo.

Caso esses parlamentares atuem conjuntamente, o grupo poderá alcançar 47 votos, número superior aos 41 necessários para eleger o presidente da Casa, composta por 81 integrantes. A formação de uma maioria eleitoral, entretanto, não significa necessariamente que todos os senadores votarão no mesmo candidato.

As relações políticas construídas por Alcolumbre e sua influência sobre a distribuição de cargos e espaços de poder são consideradas obstáculos à unificação da direita. Tanto Alcolumbre quanto Marinho afirmam contar com 48 votos.

Como as duas projeções superam, juntas, o número de integrantes do Senado, há parlamentares contabilizados simultaneamente pelos dois grupos. É justamente essa indefinição que Marinho pretende enfrentar com a proposta de divulgação pública dos votos.

A avaliação entre bolsonaristas é que senadores eleitos com um discurso de oposição ao Supremo Tribunal Federal (STF) terão dificuldades para justificar aos próprios eleitores um apoio a Alcolumbre. O atual presidente do Senado é criticado por setores da direita por resistir à abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo, uma das principais bandeiras eleitorais do bolsonarismo.

Alcolumbre já defendeu voto aberto em disputa anterior A proposta articulada por Marinho retoma uma estratégia utilizada pelo próprio Alcolumbre em 2019, quando disputou pela primeira vez a presidência do Senado, com apoio do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na ocasião, Alcolumbre buscava explorar o desgaste político de Renan Calheiros (MDB-AL), seu adversário, e o sentimento de renovação representado pelos senadores eleitos em 2018. O atual presidente da Casa defendeu a votação aberta, mas a iniciativa foi barrada por uma decisão liminar do ministro Dias Toffoli, do STF, proferida durante a madrugada.

Apesar da manutenção do voto secreto, parlamentares decidiram declarar voluntariamente suas escolhas e chegaram a exibir as cédulas antes de depositá-las na urna. Agora, a possibilidade de uma mobilização semelhante coloca aliados de Alcolumbre diante de um constrangimento político.

Senadores de partidos de direita reconhecem a dificuldade de declarar publicamente apoio ao atual presidente da Casa diante da pressão de seus eleitores. A situação também evidencia divergências na federação formada por União Brasil e PP.

Embora a aliança tenha anunciado, na terça-feira (27), apoio à reeleição de Alcolumbre, a maioria dos senadores e senadores eleitos das duas legendas não se pronunciou publicamente. Entre os que manifestaram insatisfação estão Tereza Cristina (PP-MS), que também pretende disputar a presidência do Senado, e Guilherme Derrite (PP-SP).

Ambos criticaram o anúncio nas redes sociais. PL teme repetir isolamento político de 2023

A discussão sobre a candidatura de Marinho também envolve o histórico recente de disputas pelo comando do Senado. Em 2023, o parlamentar potiguar enfrentou Rodrigo Pacheco (PSB-MG), então presidente da Casa, e foi derrotado por 49 votos a 32.

O resultado teve consequências para o PL, que permaneceu durante dois anos sem a presidência de comissões consideradas estratégicas e sem representação em cargos da Mesa Diretora. Na eleição seguinte, em 2025, o partido optou por apoiar Alcolumbre em troca de posições mais relevantes na estrutura do Senado, incluindo a vice-presidência da Casa.

A experiência anterior é utilizada por integrantes da legenda que defendem uma negociação com Alcolumbre, em vez de uma candidatura de confronto que possa resultar em novo isolamento institucional. O setor favorável à disputa, por outro lado, argumenta que o fortalecimento eleitoral da direita mudou a correlação de forças e permite ao PL buscar o comando do Senado sem depender de um acordo com o atual presidente.

Anistia e impeachment de ministros do STF alimentam resistência Além da disputa por cargos, o posicionamento de Alcolumbre em temas prioritários para o bolsonarismo contribuiu para ampliar o desgaste de sua relação com a oposição.

Parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro avaliam que o presidente do Senado favoreceu mais os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que os da direita durante sua gestão. Uma das principais reclamações envolve as articulações pela anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Segundo os bolsonaristas, Alcolumbre contribuiu para enfraquecer a proposta de anistia ampla, substituindo a discussão por uma alternativa de redução de penas que ainda não se concretizou. A resistência do senador à abertura de processos de impeachment contra ministros do STF também se tornou um ponto central das críticas.

O tema ganhou destaque na campanha eleitoral de candidatos de direita ao Senado, que assumiram compromissos públicos de enfrentar integrantes da Corte. Outro episódio citado na avaliação política sobre Alcolumbre foi a decisão de colocar em votação, durante a campanha presidencial, a proposta de emenda à Constituição que acabou com a escala de trabalho de seis dias por um de descanso, conhecida como jornada 6×1.

A medida era uma das principais bandeiras de Lula e contribuiu para fortalecer sua campanha no segundo turno.

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