A história de Marianna de Noronha Horta, mineira e primeira mulher a solicitar, oficialmente, à Câmara dos Deputados o direito ao voto feminino, será publicada em um livro. Para isso, a família da professora realiza pesquisas para coletar dados, fotos e registros para compor a futura publicação.
O interesse pelas informações aumentou quando a empresária Flávia de Souza, bisneta de Marianna, ficou sabendo que a história dela seria abordada durante uma visita guiada pelo Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte, onde o corpo da feminista está sepultado. Além de já ter descoberto que Marianna era uma mulher ativa nas artes e na carpintaria, Flávia afirma que as pesquisas revelaram que Marianna Horta era uma docente de destaque na capital mineira.
"Ela era professora e colaborava com a Revista do Ensino, que ajudou a regular e organizar o setor da educação no Brasil. Ela participou de comissões para definir as diretrizes educacionais de Minas Gerais e foi em agosto de 1916 que ela enviou para a Câmara dos Deputados um documento de próprio punho, que hoje é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio dos Direitos da Mulher, pedindo o direito das mulheres ao voto."
Flávia de Souza também afirmou que a visita realizada ao túmulo da bisavó motivou a família a restaurar a sepultura, a fim de contribuir com a divulgação da causa do movimento sufragista. Túmulo da professora no Cemitério do Bonfim, na capital mineira
Marcelo Martins Pedido voto feminino em 1916
Acervo Câmara dos Deputados No Cemitério do Bonfim também estão sepultados os corpos de outras mulheres que se destacaram na política e na vida pública em Belo Horizonte, como a educadora Alda Lodi e Júlia kubitschek, mãe e conselheira do ex-presidente Juscelino kubitschek.
Outras mulheres mineiras também tiveram protagonismo no movimento pela conquista do voto feminino, assunto pesquisado por Claudia Maia, professora da Pós-Graduação em História da Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros), no Norte de Minas Gerais. Ela menciona a advogada Mieta Santiago, que reivindicou o direito da mulher se candidatar a um cargo político.
"Ela foi uma grande protagonista porque, quando ela termina o curso de Direito, ela vai encontrar na Constituição Brasileira uma brecha e vai entrar com um mandado de segurança, pedindo o direito de votar e ser votada. Então, em 1928, ela vai se tornar a primeira mineira a conquistar o direito de votar e de ser votada em 28, ou seja, antes da aprovação do voto feminino, que vai ser em 1932.
Evidentemente ela não vai ser eleita, mas foi um marco nessa luta." Ainda segundo a professora da Unimontes, apesar de haver movimentos que questionam e que até desejam o fim do voto das mulheres, é necessário que a sociedade resgate e descubra histórias de quem lutou pela democracia e valorize o debate sobre o atual cenário da mulher na política brasileira.
O direito ao voto feminino no Brasil foi oficialmente reconhecido, em 24 de fevereiro de 1932, pelo presidente Getúlio Vargas através do novo Código Eleitoral.
CBN