Rodrigo Agostinho deixa presidência do Ibama após três anos
O ex-deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB) deixou a presidência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A exoneração ocorreu na quinta-feira passada, dias antes do fim do prazo de desincompatibilização para servidores que pretendem disputar eleições. Agostinho é advogado, ambientalista e foi prefeito de Bauru, município no interior de São Paulo, entre 2009 e 2017.
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Agostinho foi escolhido para a presidência do Ibama pela então ministra do Meio Ambiente Marina Silva no primeiro mês do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes de ocupar a cadeira, o ex-deputado foi um ferrenho opositor do seu antecessor no órgão, Eduardo Bim, e da gestão do ex-ministro Ricardo Salles, que ficou célebre por ter defendido "passar a boiada" no regramento da preservação ambiental durante a pandemia de Covid-19.
Ao anunciar a despedida de Agostinho, o Ibama afirmou que o ambientalista “liderou um processo de reconstrução e fortalecimento institucional, marcado pela retomada do protagonismo do Estado na agenda ambiental brasileira e pela valorização da atuação técnica do instituto”.
O Ibama também ressaltou a redução do desmatamento no país enquanto ele esteve à frente do órgão.
"O instituto registra agradecimento ao governo federal e, em especial, à ministra Marina Silva, pelo apoio à reconstrução das políticas ambientais, pelo fortalecimento das instituições públicas e pela priorização da agenda socioambiental no país", diz a nota do Ibama.
Ao longo da gestão de Agostinho, o Ibama foi alvo de pressão do presidente Lula. Em fevereiro do ano passado, o petista criticou o órgão pela falta de autorização para a Petrobras explorar petróleo na área conhecida como Foz do Amazonas.
Lula defendeu a pesquisa na região e afirmou que o órgão ambiental “parece” atuar contra o governo:
— Não é que vou mandar explorar, eu quero que seja explorado. (...) O que não dá é ficar nesse lenga-lenga, o Ibama é um órgão do governo e está parecendo que é um órgão contra o governo — disse Lula.
Oito meses depois, às vésperas do início da COP30, o Ibama concedeu a licença de operação para a perfuração de um poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado em águas profundas do Amapá, a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa, na Margem Equatorial brasileira.
A liberação ocorreu um dia antes do fim do prazo do contrato da sonda contratada pela Petrobrás no local. A decisão do Ibama foi criticada por organizações ambientalistas.
Também foi durante a gestão de Agostinho que o Congresso Nacional aprovou a flexibilização do licenciamento ambiental no país. Em entrevista ao GLOBO, o ambientalista criticou a medida e afirmou que "não se agiliza licenciamento mexendo na regulação".
