Israel vê 'janela de oportunidade' para ampliar ataques caso ultimato de Trump ao Irã expire

 

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Israel se prepara para diferentes cenários às vésperas do prazo final do ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã, marcado para as 20h (horário de Brasília). As possibilidades vão de um cessar-fogo ou acordo provisório até a ampliação dos ataques já realizados por forças israelenses e americanas, segundo o Canal 12.

De acordo com emissora, autoridades de alto escalão classificam as próximas horas como 'dramáticas', diante do receio de um acordo de última hora entre Washington e Teerã que não contemple pontos considerados essenciais por Israel, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano.

Ainda segundo fontes ouvidas, o fracasso nas negociações pode abrir uma 'janela de oportunidade extraordinária' para novos ataques a infraestruturas estratégicas do Irã, como instalações de energia e eletricidade que ainda não foram atingidas. Israel e Estados Unidos já teriam alinhado a divisão desses alvos.

Enquanto isso, mediadores internacionais, como Qatar e Paquistão, seguem tentando costurar um acordo que ao menos impeça uma escalada do conflito.

Em nova ameaça ao Irã, Trump afirma que uma 'civilização inteira morrerá esta noite'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta terça-feira (7). Em uma publicação na rede social Truth Social, ele escreveu que 'provavelmente' uma 'civilização inteira morrerá esta noite'.

Trump disse que agora, com novas pessoas no regime, 'algo revolucionário e maravilhoso pode acontecer'.

'Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma Mudança de Regime Completa e Total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim', escreveu nas redes.

Após as ameaças, o Irã resolveu interromper as negociações com os EUA. De acordo com a TV estatal iraniana, as conversas e negociações indiretas aconteciam favoravelmente, mas foram paralisadas.

Trump tinha ameaçado destruir o Irã inteiro nesta terça-feira (7) se o Estreito de Ormuz não for reaberto até as 21h, pelo horário de Brasília. A rota é um importante corredor marítimo, por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo do mundo.

Nesta segunda-feira (6), o governo americano e o regime iraniano rejeitaram um plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão. O presidente americano disse que, caso não haja um acordo aceitável hoje, todas as pontes e usinas de energia do Irã serão dizimadas em poucas horas.

O presidente Donald Trump disse que não está preocupado se os Estados Unidos forem acusados de cometer crime de guerra ao atacarem alvos civis, como as usinas elétricas. Para o republicano, o verdadeiro crime de guerra é permitir que um país com líderes que, nas palavras dele, considera 'dementes' possua uma arma nuclear.

Em outro momento durante a entrevista coletiva na Casa Branca, Trump disse que, se pudesse escolher, tomaria o petróleo do Irã. Mas ponderou que os cidadãos americanos querem o fim da guerra.

Em resposta, o Exército iraniano chamou as ameaças de Trump de delirantes e disse que elas não vão compensar a vergonha e a humilhação dos Estados Unidos na região.

O prazo que expira hoje é um ultimato que já foi adiado quatro vezes pelo presidente americano desde 21 de março.

A poucas horas desse prazo, a guerra segue com novos ataques. Um bombardeio na província de Alborz, perto de Teerã, matou pelo menos 18 pessoas e deixou outras 24 feridas. A capital iraniana também foi atingida por uma série de ataques intensos, inclusive em áreas residenciais e no aeroporto Internacional de Khorramabad.

O ministro iraniano do Patrimônio Cultural enviou uma carta à Unesco pedindo condenação a uma suposta ameaça de ataque de Israel ao sistema ferroviário do país.

A ferrovia trans-iraniana, que liga o Mar Cáspio ao Golfo Pérsico, é considerada patrimônio mundial e, segundo o governo, qualquer ataque representaria uma agressão ao patrimônio da humanidade.

Entre a população, o presidente do Irã reforçou um discurso de mobilização total. Masoud Pezeshkian afirmou que 14 milhões de pessoas se voluntariaram para morrer na guerra. Ele disse que também está pronto para dar a própria vida.