'Rio de Clarice', com Leticia Spiller, é a nova adaptação de Clarice Lispector para os cinemas

Fonte: Bandeira da fonte

A obra de Clarice Lispector (1920 – 1977), um dos maiores nomes na escrita do Brasil, volta às telonas nesta quinta-feira (13), com a estreia de Rio de Clarice.
O filme traz cinco contos da autora com um elenco que possui nomes como Leticia Spiller, Louise Cardoso, Lucélia Santos e Flávio Bauraqui.
O longa traz uma proposta diferente em relação ao que o público já está acostumado: cada conto funciona de forma independente e com divisão clara, sem que eles possuam uma conexão clara entre si.
Cada parte tem um elenco, direção e duração diferentes, com muitas histórias uma dentro de outra.
A abertura fica com Feliz Aniversário (Laços de Família, 1960), que traz a história da matriarca de uma família, Dona Anitta, que está completando 89 anos.
Em meio à cena, é perceptível ver os papéis que cada integrante daquela família fragmentada, que se reúne apenas em datas comemorativas, desempenha em um jogo de superficialidade que é mais importante "parecer" do que "ser".
Conto 'Feliz Aniversário' ('Laços de Família', 1960) em 'Rio de Clarice'
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Em seguida vem Mal-Estar de um Anjo (A Legião Estrangeira, 1964), com Leticia Spiller, no qual a atriz vive uma personagem com contradições internas, entre a linha tênue entre ser "boazinha" e seguir seus desejos tidos como individualistas.
Rio de Clarice mantém o lirismo característico da escrita da autora, buscando representações que, em certa medida, simbolizam a sociedade da época e a publicação dos textos de Clarice.
Por essa razão, a linguagem se aproxima da formalidade e os personagens são caricatos, transmitindo por meio da narração seus pensamentos de maneira intencional e reflexiva.
'Mal-Estar de um Anjo' ('A Legião Estrangeira', 1964), com Letícia Spiller
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Em meio à difícil missão de equilibrar a escrita de Clarice a uma representação para as telonas que prenda a atenção dos espectadores, alguns atores do elenco atenderam melhor ao estilo.
Esse é o caso de Leticia Isnard, em A Bela e a Fera (1977), que consegue convencer o público da ideia um tanto quanto improvável do conto.
Já outros, como Spiller, não brilharam neste filme pela falta de real conexão entre eles, seus personagens e o público, o que acabou criando um distanciamento e se voltando mais para a leitura de um monólogo com caras e bocas, do que algo que se aproximasse da verdade íntima de sua personagem.
Rio de Clarice é um filme que traz um retrato do cotidiano, ao representar a simplicidade e a beleza da escrita de Clarice, em contos que não têm um grande clímax.
Ele trabalha com detalhes da vida comum que, de alguma forma, transformam o interior das personagens e provocam a reflexão.

Não é um filme para todo mundo, mas, para quem é fã ou tem curiosidade sobre a escrita da autora, é uma porta de entrada interessante para o seu universo e um estímulo a uma imersão maior nele.
Bia Sion em 'Rio de Clarice' (2026)
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