Resgates de gambás crescem 141% em setembro em Niterói

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Quem vive em Niterói pode encontrar gambás com mais frequência nos próximos meses. Com a chegada da primavera, o período reprodutivo desses animais favorece o aparecimento de fêmeas com filhotes em áreas urbanas. Em setembro, a Coordenadoria de Meio Ambiente da Guarda Municipal (CMA) realizou 357 resgates, um aumento de 141% em relação a agosto. Ao todo, foram 1.343 atendimentos nos nove primeiros meses de 2026. Sem carnês: IPTU de Niterói será 100% digital em 2027 Centenário: Monumento de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói, será restaurado Os dados da CMA mostram oscilações no número de atendimentos ao longo de 2026. Foram 173 resgates em janeiro, 162 em fevereiro, 163 em março, 112 em abril, 69 em maio, 75 em junho, 84 em julho e 148 em agosto. Em setembro, o total chegou a 357 — mais de 26% de todos os resgates registrados entre janeiro e setembro. O salto coincide com o início da estação, período em que os gambás tendem a intensificar a reprodução e podem circular com mais frequência em áreas próximas às residências. Apesar de causarem estranhamento quando aparecem em quintais, telhados e até dentro de imóveis, os gambás desempenham funções importantes para o equilíbrio ambiental. Segundo Flávio Moutinho, médico-veterinário da Universidade Federal Fluminense (UFF), a alimentação variada ajuda a explicar a importância ecológica desses marsupiais, que também colaboram para a regeneração da vegetação. — Por terem uma alimentação generalista, eles se nutrem de diferentes tipos de alimentos. Isso faz com que eles tenham uma importância ecológica muito grande, já que se alimentam de variados tipos de plantas e atuam como dispersores de sementes, ajudando no reflorestamento. Eles podem se alimentar também de animais em decomposição, ajudando na ciclagem dos nutrientes — explica Moutinho. O docente da UFF também esclarece que, por serem animais onívoros, os gambás também se alimentam de outros animais, alguns considerados nocivos pelos seres humanos, como serpentes, aranhas e escorpiões. Esporte: projeto de vôlei de bicampeão olímpico inaugura primeiro núcleo Facilidade de adaptação A ocupação e a destruição de ambientes naturais contribuem para que animais silvestres passem a circular em áreas urbanizadas. No caso dos gambás, a capacidade de se alimentar de diferentes fontes facilita a adaptação à cidade, onde encontram abrigo, água e comida em jardins, telhados, forros de casas e locais onde o lixo é descartado de maneira inadequada. A ração deixada para cães e gatos também pode atrair esses animais. — Com a destruição e a ocupação dos ecossistemas naturais, os gambás, devido principalmente à sua condição de animais com alimentação generalista, acabam conseguindo se adaptar de maneira muito satisfatória ao ambiente urbano — afirma o médico-veterinário. Em Niterói, a proximidade entre bairros residenciais e áreas de vegetação favorece a circulação da fauna silvestre. Na Região Oceânica, localidades como Itacoatiara, Itaipu, Piratininga e Engenho do Mato estão entre os locais onde moradores podem se deparar com gambás. No entanto, também há registros de resgates recentes em outras regiões mais densamente urbanizadas, como na Rua General Silvestre Rocha, em Icaraí; e no pátio de uma igreja na Rua Doutor Borman, no Centro. Há também registros fotográficos de gambás feitos por moradores do Gragoatá e do Fonseca. Embora esses animais possam carregar microrganismos capazes de causar doenças em humanos, isso não significa, segundo o médico-veterinário, que representem necessariamente um risco maior do que outras espécies. Para ele, os benefícios ecológicos dos gambás superam os possíveis riscos, desde que haja respeito à distância entre pessoas e animais silvestres. Guarda Municipal atendeu a 357 pedidos de resgates de gambás em setembro em Niterói Divulgação/Prefeitura de Niterói Recomendações Para evitar acidentes ou confrontos, crianças e animais domésticos devem ser afastados dos marsupiais, especialmente cães e gatos. Não se deve tentar pegar, encurralar ou agredir o gambá. Matar ou maltratar animais silvestres sem autorização é crime ambiental, conforme a Lei Federal nº 9.605/1998. — Como se trata de animal selvagem, é importante que a gente mantenha uma distância responsável deles, não tente tocá-lo ou cuidar como se fosse animal de companhia — orienta o especialista. Por isso, ao encontrar um gambá, a recomendação é não maltratar o animal nem tentar capturá-lo por conta própria. Os moradores podem acionar a Guarda Municipal pelo telefone 153 para solicitar orientação e atendimento da equipe ambiental.

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