Republicanos apoiará Flávio, em movimento que inclui acordo sobre ministérios e Mesas do Congresso

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Fonte da notícia: Valor Valor

No melhor momento de sua campanha à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) receberá logo mais, às 18 horas, o apoio oficial do Republicanos, com a presença do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, liderança nacional do partido. Esse movimento implica um acordo de bastidores entre PL, União, PP e Republicanos de divisão de espaços no ministério de eventual governo Flávio, bem como uma aliança pela recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, e à eleição de Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado em 2027.

O apoio do Republicanos se soma aos gestos, nos últimos dias, da federação União-Progressistas (PP) e do candidato derrotado do PSD, Ronaldo Caiado, que fortalecem a candidatura do senador do PL. Com as maiores bancadas no Congresso a partir do ano que vem - 28 senadores e 121 deputados -, a posição do o PL será decisiva na eleição para as novas Mesas Diretoras das Casas legislativas no começo de fevereiro.

Mesmo assim, o PL não conseguiria eleger, sozinho, ou mesmo com apoios esparsos, os presidentes das duas Casas. Além disso, nos últimos anos, as principais legendas têm reeditado acordos de divisão de poderes, de modo que o mesmo partido não ocupe, simultaneamente, no comando das duas Casas, como já se deu com o MDB no passado.

Dessa forma, nos bastidores, os dirigentes do PL, da federação União-PP e do Republicanos firmaram entendimento para que o PL complete os votos para reconduzir Hugo Motta ao comando da Câmara. Em troca, as três siglas assegurarão o apoio para eleger Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, para a presidência do Senado, no lugar de Davi Alcolumbre (União-AP).

Apesar dessa costura das cúpulas partidárias, lideranças do PL na Câmara e no Senado disseram ao Valor que haverá resistência das bancadas. Um dos motivos foi o gesto de Hugo Motta de declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os novos parlamentares querem tentar emplacar quadros do PL na direção das duas Casas, apesar do acordo com o Centrão. De um lado, haverá um movimento para tentar eleger o vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), ou o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ambos reeleitos, para a cadeira de Motta.

Outra alternativa a Motta seria apoiar o nome do presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), que já disputou antes o comando da Casa. Contudo, ele acabou cedendo para apoiar Motta, que teve o então titular da cadeira, Arthur Lira (PP-AL) - agora eleitor senador - como principal padrinho de sua candidatura.

Marcos Pereira, no entanto, desponta como nome natural para o eventual ministério de Flávio. Ou para uma das vagas no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos bastidores, o nome de Pereira foi cotado na gestão de Jair Bolsonaro (PL), mas o então presidente optou pelas indicações de André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Defensores de Motta vão argumentar que em 2023, a bancada do PT fez acordo para votar na recondução de Lira ao comando da Casa, mesmo ele tendo feito campanha em 2022 para Jair Bolsonaro (PL).

Uma ponderação é que tendo a Paraíba como base eleitoral, Motta não poderia se colocar contra Lula.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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