O lateral-esquerdo Marlon e o centroavante Carlos Vinícius concederam entrevista coletiva na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, na sexta-feira (23), para defender o técnico Renato Portaluppi de críticas recentes. As lideranças do vestiário assumiram a responsabilidade do elenco pela má fase da equipe, que soma 31 pontos na 18ª colocação da Série A do Campeonato Brasileiro antes do confronto contra o Coritiba nesta segunda-feira (26).
Durante a conversa com os jornalistas, Carlos Vinícius respaldou as cobranças feitas pelo comandante e comparou a capacidade de administração de vestiário do treinador brasileiro ao estilo do técnico português José Mourinho. “Ele é de uma gestão de grupo top.
Tirando ele e o Mourinho, não vejo outro treinador para a gestão. Talvez no calor de um pós-jogo, falou coisas além do ponto, mas nós sabemos de tudo.
Nós que estamos dentro do clube assinamos embaixo, porque ele não falou só da boca para fora. Há coisas que acontecem que realmente não concordamos.
Agora, o que eu não concordo é meter o Renato na cruz com seis, sete jogos”, afirmou o centroavante. O centroavante também avaliou que a repercussão das falas do técnico desviou a atenção da disputa do campeonato.
“Na verdade se criou uma guerra do tamanho do mundo, tiraram até o foco maior que é a disputa pelos três pontos. Estamos cansados de saber, nos quatro cantos do Brasil, que o Renato é um grande gestor de grupo.
E nas últimas duas semanas, já o meteram na cruz como o pior gestor. O Renato é um pouco parecido com o Mourinho a nível de gestão de grupo.
Não posso falar isso para ele, senão ele já fica grandão”, disse Carlos Vinícius. Na mesma entrevista coletiva na Arena do Grêmio, o lateral-esquerdo Marlon minimizou o impacto das declarações do comandante após a derrota por 4 a 2 para o Cruzeiro, ocorrida no domingo (18), e lembrou o alto investimento financeiro realizado pela diretoria na formação do plantel para a temporada de 2026.
Para o defensor, os atletas precisam responder pelo desempenho dentro de campo em vez de utilizar a figura de Renato Portaluppi apenas como proteção diante das cobranças externas. “Vivemos em um ambiente onde é normal a cobrança.
Se as apresentações do Grêmio fossem boas, os jogadores e o trabalho seriam elogiados. Temos sido cobrados porque foi gasto bastante dinheiro para botar um elenco, que na teoria era para ser mais competitivo e entregar um futebol melhor, e isso não aconteceu”, declarou Marlon.
O lateral reforçou que o técnico aceitou assumir a equipe após a saída do antecessor Luís Castro. “O treinador está aqui porque é um cara que compra muito pelo Grêmio, sempre deu a cara pelo Grêmio.
No momento da saída do Luís, ele se prontificou a vir ajudar. Não por ser o maior ídolo do clube, mas às vezes ele acaba sendo escudo para muitas situações também.
Durante a temporada inteira disse que treinador não entra em campo pra chutar bola. Temos que entender que a responsabilidade também é dos jogadores”, completou o jogador.
Veja também: Grêmio busca acordo para parcelar rescisão de Luís Castro mais de um mês após demissão O próprio Renato Portaluppi apareceu de surpresa na sala de imprensa da Arena em 23 de outubro de 2026 para rebater comentários externos, como o do comentarista Felipe Melo, que havia declarado que o treinador perderia o controle do elenco após criticar condições físicas e erros de montagem do grupo.
O técnico garantiu a união do vestiário e convocou os torcedores para a reta final da competição. “A gente sabe que o momento não é dos melhores, mas somente nós podemos nos tirar dessa situação.
Essa é a mensagem que vim passar para o nosso torcedor. Nos abracem.
Podem ter certeza que no dia a dia nós estamos trabalhando bastante. Tenho certeza que, com a força deles (torcedores), isso vai acontecer.
Diferente do que muita gente anda falando, nosso grupo está muito unido”, afirmou Renato Portaluppi. Contratado há pouco mais de um mês para substituir Luís Castro e evitar o quarto rebaixamento da história do clube gaúcho, Renato Portaluppi ainda não venceu desde o retorno, igualando a sua pior arrancada pelo time, registrada em 2010, e repetindo em entrevistas que não tem “varinha mágica” para solucionar os problemas rapidamente.
Restando sete rodadas para o término do Campeonato Brasileiro, o Grêmio acumula pouco menos de 18% de chances de permanência na primeira divisão, busca a primeira vitória fora de casa na edição de 2026 e tem cinco pontos de desvantagem para o Internacional, primeiro clube fora da zona de rebaixamento, distância que impede a saída do grupo dos quatro últimos colocados mesmo em caso de triunfo na 32ª rodada.
Para o duelo diante do Coritiba, treinado por Fernando Seabra, o Grêmio realizou a chamada Operação Curitiba, adquirindo uma carga de 4 mil ingressos para a sua torcida e disponibilizando 27 ônibus para o deslocamento dos torcedores até a capital paranaense.
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