A desistência da Eagle Bidco de comprar 49% das novas ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) abriu caminho nesta segunda-feira (26) para o Botafogo de Futebol e Regatas assumir o controle quase total da empresa no Rio de Janeiro. Com o fim do prazo de preferência no último sábado (24), o clube associativo passa a ter cinco dias para incorporar a sobra acionária, elevar sua fatia para 99,18% do capital social e avançar na venda do futebol para a companhia norte-americana GDA Luma.
Antiga acionista majoritária criada pelo empresário norte-americano John Textor e hoje sob administração judicial da gestora Cork Gully, a Eagle Bidco tinha 30 dias corridos para exercer seu direito de preferência no aumento de capital. A empresa chegou a pedir esclarecimentos sobre a operação, mas comunicou oficialmente ao clube por e-mail na última quinta-feira (22) que não faria a aquisição do lote a que tinha direito.
O processo de diluição societária teve início na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada em 24 de setembro de 2026, quando foi aprovada a emissão de um grande lote de ações ordinárias Classe B. Presidido por João Paulo Magalhães Lins, o Botafogo associativo — que já detinha 51% da SAF antes da medida após vencer uma ação na Justiça baseada em quebra de contrato do antigo parceiro — subscreveu a sua parte proporcional logo no dia seguinte à reunião.
Com a ausência de aporte da Eagle Bidco, a divisão acionária e os valores da operação ficam estruturados da seguinte maneira: O Botafogo volta a campo nesta quarta-feira para enfrentar o Remo pelo Campeonato Brasileiro.
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A redução da fatia da Eagle Bidco para um índice minoritário de 0,82% elimina entraves societários do antigo sócio e permite a transferência direta do controle do futebol alvinegro. O passo seguinte planejado pela diretoria do clube social é a venda de 90% das ações da SAF para a GDA Luma, empresa fundada e gerida pelo empresário mexicano Gabriel de Alba.
Ainda não há confirmação oficial sobre a data exata em que o contrato definitivo de venda desses 90% será formalizado após o término do prazo de cinco dias para a incorporação das sobras acionárias. Embora a transferência definitiva das ações ainda dependa do cumprimento dos prazos societários desta semana, Gabriel de Alba já participa diretamente das decisões da gestão do Botafogo e realiza aportes financeiros em formato de empréstimos para manter o pagamento de salários e dívidas em dia.
O empresário mexicano já disponibilizou cerca de US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 255 milhões) para custear a operação do clube, montante que será abatido do valor final de compra da SAF quando o negócio for concluído. A mudança de controle ocorre enquanto a SAF do Botafogo atravessa um processo de Recuperação Judicial para reestruturar suas finanças.
De acordo com o quinto relatório mensal dos administradores judiciais, protocolado em 20 de outubro de 2026, a empresa do futebol alvinegro acumulava um passivo total de R$ 3,67 bilhões em obrigações no balanço fechado até 31 de agosto de 2026. Desse volume financeiro registrado no documento oficial da Justiça, R$ 480,6 milhões correspondem a dívidas extraconcursais (aquelas contraídas após o pedido de recuperação e que têm prioridade de recebimento) acumuladas pela própria SAF com o fundo GDA Luma até o fim de agosto.
Enquanto a diretoria associativa conclui os trâmites para assumir os 99,18% da empresa, a equipe principal de futebol masculino busca reação dentro de campo sob o comando do técnico Tite. Depois de sofrer uma derrota por 3 a 0 para o Internacional, o Botafogo volta a jogar nesta quarta-feira (28), quando enfrenta o Remo, no Estádio Mangueirão, em Belém, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro.
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