Presidenciável do Missão, Renan Santos, disse que discute a possibilidade de negociar com o Centrão para a composição do governo, caso eleito, por ser um "democrata", apesar de dizer que os eleitores tendem a colocar "300 bandidos no Congresso".
Em sabatina ao GLOBO, CBN e Valor, o candidato disse que "aprendeu" a lidar com o grupo político no período em que liderava o Movimento Brasil Livre (MBL) durante as manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
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— Fui vice-presidente do comitê do impeachment junto com congressista.
Tive que negociar com essas pessoas do Centrão aos 30 anos de idade.
Aprendi nessa época — disse.
— Eu venço a eleição e, imediatamente, eu tenho outra eleição.
E acho o parlamentarismo mais funcional.
Ao ter que fazer essa segunda eleição, vou ter que criar critérios.
Primeiro, é a aceitação.
Chegar no parlamento e falar “quem vai compor governo comigo?” Eu vou chamar os partidos, já estou avisando.
O candidato do Missão também afirmou que manterá as críticas aos parlamentares alvos de investigação, mas que procurará os partidos para negociar espaço no governo.
— Eu sou crítico a eles, falo de todos os escândalos.
Eu sou um democrata, aquele que chora quando vê o que o eleitor faz com o sufrágio dele.
Na hora de sufragar, o eleitor vai meter pelo menos 300 bandidos no Congresso.
Que vão comprar o voto deles, pois essa vai ser a maior eleição de todas, de derrama de dinheiro — disse durante a sabatina.
Questionado sobre a atuação dos adversários, Renan disse que buscará "tirar" os votos do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de reconhecer o favoritismo do petista nos estados do Nordeste.
— Os filhos dos eleitores do Lula no Nordeste são passíveis de serem buscados.
Há uma fadiga de material do lulismo no Nordeste; pesquisas na Bahia demonstram isso.
E essa fadiga demonstra que, se não fosse o Flávio na direita, poderia ser qualquerum.
Meu desconhecimento vai caindo e vou ganhar do Lula no segundo turno.
Isso acontece com o Caiado, só não acontece com o Flávio — disse durante a entrevista.
Após o término da sabatina, Renan Santos disse ao GLOBO que se diferencia dos outros candidatos que disputam o voto da direita, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), por ter feito frente ao petismo e ao bolsonarismo antes de concorrer ao Planalto.
— Eu enfrentei o petismo e o bolsonarismo nos últimos anos, de uma maneira que os demais candidatos não fizeram.
E hoje nós estamos vendo o problema de eles não terem enfrentado o bolsonarismo.
O bolsonarismo se tornou quase que uma constante na direita, impedindo que a gente.
E não consiga pensar e discutir ideias novas para o Brasil ou no campo da direita.
Eu também sou uma pessoa que está mobilizando a juventude e o que mais cresce nas redes sociais — disse.
