Remo e Paysandu estarão representados na audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutirá os efeitos da proibição das apostas esportivas no Brasil. Marcado para 3 de novembro, às 10h, o encontro reunirá representantes do futebol, do governo e de diferentes setores da economia para debater os impactos da medida sobre o mercado de apostas e os contratos comerciais ligados à atividade.
Segundo apuração do Núcleo de Esportes de O Liberal, o Remo será representado pelo próprio advogado, Gustavo Fonseca. Já o Paysandu terá como representante o advogado da Liga do Futebol Brasileiro (Libra), que participará do debate em nome de parte dos clubes integrantes da entidade.
A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator de processos que questionam a legislação do setor no STF. A discussão ocorre em meio às incertezas sobre o futuro das empresas de apostas esportivas e os possíveis reflexos de uma eventual manutenção das restrições sobre as receitas dos clubes brasileiros.
Impacto nos clubes A participação dos representantes do Remo e do Paysandu coloca os dois principais clubes do futebol paraense em um debate que envolve o financiamento do esporte e a segurança jurídica dos contratos de patrocínio.
As empresas de apostas se tornaram uma importante fonte de receita comercial para equipes de diferentes divisões do futebol brasileiro. Além dos clubes paraenses, foram convocados representantes de Corinthians, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa, além da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A discussão também envolve o impacto econômico da atividade. Segundo Marcelo Gomide, da Receita Federal, a arrecadação federal com apostas esportivas eletrônicas alcançou R$ 6,86 bilhões entre janeiro e setembro de 2026.
Discussão no STF A audiência será realizada no Supremo, onde estão em análise seis Ações Diretas de Inconstitucionalidade relacionadas à legislação das apostas.
O encontro permitirá que os participantes apresentem argumentos e informações sobre os efeitos jurídicos e econômicos das restrições antes do avanço da análise dos processos. No Congresso Nacional, emendas à medida provisória em discussão defendem a manutenção, ainda que parcial, das operações, sob o argumento de que as empresas contribuem para o financiamento do esporte.
A CBF, por sua vez, tem evitado manifestações públicas sobre o tema e busca manter uma posição neutra. O debate também envolve a fiscalização do setor, a estrutura regulatória e as atribuições dos órgãos federais responsáveis pela supervisão do mercado.
A audiência deverá reunir, além de representantes do futebol, integrantes do poder público e de entidades empresariais, jurídicas e ligadas ao mercado de jogos e loterias.
O Liberal