Readequação orçamentária aprovada sob ressalvas no Avaí

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Com déficit contábil projetado de R$ 23,8 milhões, o Avaí aprovou a readequação orçamentária de 2026 com ressalvas. Leão vai ter pago, em projeção até o final de 2026, R$ 8,5 milhões em dívidas

Com apenas 60 conselheiros presentes, o Avaí apresentou os números da readequação orçamentária na reunião do Conselho Deliberativo, na noite de terça-feira (27). A proposta foi aprovada, com ressalvas, por 34 votos a favor, com 26 votos contra, em uma votação apertada que reflete as preocupações com a situação financeira do clube.

A previsão para 2026 é de R$ 50 milhões em receitas e R$ 73,8 milhões em custos operacionais, com déficit contábil projetado de R$ 23,8 milhões. No seu parecer, o Conselho Fiscal reconheceu o crescimento das receitas previstas e a redução de mais de R$ 23 milhões nos custos em relação a 2025.

Também destacou que parte do déficit tem origem contábil e não representa, necessariamente, uma saída de caixa no mesmo valor. Outro dado relevante é a estimativa de que o Avaí terá pago cerca de R$ 8,5 milhões em dívidas ao longo de 2026.

Ainda assim, o órgão alertou para o desequilíbrio estrutural entre as receitas próprias e as despesas necessárias para manter o clube em atividade e competitivo. O Avaí tem uma questão muito positiva, que é a de que vem enfrentando seus problemas financeiros.

Vem pagando a recuperação judicial já homologada na gestão do ex-presidente Júlio Heerdt, bem como vem pagando a transação tributária costurada durante e gestão anterior e, que foi finalizada e está sendo paga pela atual gestão de Bernardo Pessi. No campo, é que a gestão de futebol Azurra jogou muito no risco do rebaixamento, com a falta de reposição das peças perdidas e chegar na reta final com os salários atrasados.

Mas ainda existe esperança nos três jogos finais, apesar de um cenário nada animador. Sobre a reunião do conselho, colhi de vários conselheiros que estiveram presentes, o elogio ao presidente Bernardo Pessi pela transparência ao detalhar o pedido de readequação orçamentária.

Nos bastidores, confirmou-se a expectativa, antecipada por esta coluna, de cobranças durante os assuntos gerais da reunião. É natural que haja questionamentos, especialmente diante do momento ruim da equipe dentro de campo e da necessidade de respostas também fora dele.

Bem como a cobrança de que o Avaí precisa buscar uma redução mais expressiva do custo administrativo, que continua pesando no orçamento mensal. A questão, porém, exige cuidado.

Com a recuperação judicial homologada, cortes feitos sem planejamento podem provocar uma avalanche de ações trabalhistas, com créditos extraconcursais, capazes de agravar ainda mais a situação financeira. Isso não significa que a estrutura atual deva ser mantida sem revisão, mas que qualquer mudança precisa considerar os riscos jurídicos e o impacto no caixa.

O diagnóstico permanece: mesmo após os cortes já realizados, o custo mensal é alto e pesa — muito — nas contas do Leão. A aprovação da readequação orçamentária do Avaí veio acompanhada de uma ressalva importante: o momento em que ocorre.

No parecer do conselho fiscal foi indicado que embora o encerramento da janela de transferências de jogadores não permita maior previsibilidade sobre os custos do elenco, a revisão do orçamento já no décimo mês do ano reduz a margem para corrigir eventuais desequilíbrios. Estava no referido parecer que, por isso, a aprovação não elimina a necessidade de fiscalização rigorosa do Conselho Deliberativo, especialmente sobre a realização das receitas, a evolução das despesas e a adoção de medidas corretivas para preservar o equilíbrio financeiro do clube.

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