Religião mobiliza eleitores, mas não determina voto sozinha, explica sociólogo

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Fonte da notícia: CBN CBN

A circulação de informações falsas envolvendo o nome de Nossa Senhora Aparecida e a disputa entre campanhas presidenciais reacendeu o debate sobre o papel da religião na política brasileira. Em dia de Nossa Senhora Aparecida, candidatos disputam narrativa sobre a padroeira

Mais de 500 mil fiéis são esperados em Aparecida para celebrar o dia da padroeira do Brasil Em entrevista ao Jornal da CBN nesta segunda-feira (12), Dia da Padroeira do Brasil, Clemir Fernandes, sociólogo e diretor de articulação político-religiosa do Instituto de Estudos da Religião (ISER), explicou que a fé continua sendo um elemento central para compreender o comportamento do eleitorado no país.

"Falar de religião no Brasil não é um detalhe. Pelo contrário, ele é central para entender a vida brasileira.

E, na questão eleitoral, os candidatos e candidatas, ou eles compreendem essa dimensão ou não conseguem dialogar com o eleitorado, que, para além da questão eleitoral em si, com os temas sociais em si, o tema da religião perpassa, mobiliza, atrai, separa e divide." Temas morais não são os únicos fatores que definem o voto

Segundo o sociólogo, assuntos como família, aborto e costumes costumam ser utilizados para mobilizar eleitores, principalmente nas redes sociais. No entanto, pesquisas mostram que esses temas raramente são os únicos elementos que determinam a decisão final do voto.

"Na hora da definição do voto, a pessoa leva em conta que são questões da sua própria existência, da sua sobrevivência, da sua vida cotidiana, e os temas morais, eles são um arcabouço importante, mas eles não são definidores. Os estudos mostram que as condições materiais de existência são muito mais definidores."

Como identificar o uso eleitoral da fé Ao comentar o uso da religião nas campanhas, o especialista recomendou que os eleitores observem a trajetória e as ações dos candidatos, e não apenas discursos ou referências religiosas pontuais.

De acordo com ele, o uso de símbolos, citações bíblicas ou expressões religiosas nem sempre reflete o comportamento político de quem disputa uma eleição. "É muito importante estar atento a essa desinformação que manipula compreensões de gramática religiosa para mobilizar o eleitor.

É importante verificar as redes sociais desse candidato, seus pertencimentos, para entender de que história ele está falando, se aquilo é fortuito, se aquilo é de uma apropriação de uma linguagem em função de um interesse eleitoral ou se o seu comportamento, de fato, diz respeito àquilo que ele está informando."

Publicação Original CBN cbn.globo.com
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