Relator protocola pedido para prorrogar CPI do crime organizado por mais 60 dias

 

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O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou, nesta segunda-feira, 6, requerimento para prorrogar por mais 60 dias os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado. A iniciativa já conta com o apoio de 28 senadores, número superior ao necessário para a tramitação do pedido.

Criada para investigar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no país, a CPI avançou sobre estruturas complexas de financiamento ilícito e identificou indícios de infiltração dessas organizações na economia formal, com o uso de mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro.

Vieira aponta que a CPI possui um volume monumental de documentos a serem analisados, oriundos de todo o acervo informacional e probatório recebido pela comissão ao longo das investigações. Além disso, os trabalhos investigativos chegaram a uma fase crítica, que exige o cruzamento meticuloso de dados sensíveis e a realização de oitivas impreteríveis. “A teia de relações revelada pelo Caso Master alcança dimensões alarmantes de risco sistêmico e corrupção”, afirma.

No documento, o relator também cita a insuficiência de tempo para concluir o diagnóstico sobre a atuação das facções criminosas e das milícias nos diferentes estados da federação, sendo necessário ouvir governadores e secretários de segurança pública das unidades federativas mais e menos seguras do país.

Para o senador, a prorrogação é essencial para evitar o encerramento prematuro dos trabalhos e assegurar a entrega de resultados concretos, com impacto real no combate ao crime organizado no Brasil.

Com prazo apertado, a comissão tem previstas ainda pelo menos quatro oitivas para esta semana. Uma delas é a do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha que, apesar de ter sido convocado pela CPI, conseguiu um HC (habeas corpus) para que não seja obrigado a comparecer ao colegiado. Apesar disso, o depoimento dele segue marcado para amanhã.

Já na quarta-feira, a CPI deve ouvir Roberto Campos Neto e Gabriel Galípolo, o ex-presidente e atual chefe do Banco Central, respectivamente. Já o ex-governador do RJ, Cláudio Castro, só deve ser ouvido na próxima semana.