Artemis II vai chegar perto da lua: quando começa e quanto dura o sobrevoo lunar

 

Fonte:


O sobrevoo da Lua pela missão Artemis II marca um novo passo na retomada da exploração lunar tripulada, mais de meio século após a Apollo 17. Prevista para levar astronautas a orbitar o satélite natural da Terra sem pouso, a missão da Nasa testa sistemas essenciais para o retorno humano à superfície lunar e abre caminho para futuras viagens mais longas.

Leia: Santo Sudário de Turim: novo estudo revela origens de DNA encontrado em relíquia

Veja também: 'Olá, mundo': Nasa divulga primeiras imagens feitas pelos astronautas da Missão Artemis II

O sobrevoo terá duração aproximada de sete horas, começando às 14h45, horário do leste dos Estados Unidos (15h45 em Brasília), terminando por volta das 21h20 (22h20 em Brasília) e estes são os principais pontos que você precisa saber sobre a missão:

Transmissão ao vivo

A Nasa transmitirá o sobrevoo ao vivo em seu site, assim como YouTube, Amazon e Netflix, com comentários dos astronautas a bordo da nave espacial e de especialistas do Centro de Controle da Missão em Houston, Texas.

Devido à distância, a Nasa alertou que a qualidade da transmissão ao vivo poderá ser comprometida em alguns momentos.

Imagem da Terra vista da cápsula Orion, veículo usado na Missão Artemis II

Reid Wiseman/Nasa

Silêncio absoluto

Haverá um período de cerca de 40 minutos durante o qual a comunicação com a Artemis II será perdida, enquanto os astronautas sobrevoam o lado oculto da Lua.

— Será emocionante, de uma forma um tanto assustadora — disse Derek Buzasi, professor de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Chicago, à AFP.

Marcos históricos

Pela primeira vez, uma mulher, Christina Koch; um homem negro, Victor Glover; e um não americano, o canadense Jeremy Hansen, alcançarão a Lua. Até agora, apenas os astronautas das missões Apollo haviam alcançado o satélite, entre 1968 e 1972.

Pouco depois de iniciarem seu sobrevoo, a tripulação da Artemis II também estará à maior distância da Terra já alcançada por um ser humano: 406.772 quilômetros. Sendo assim, eles superarão em 6.600 quilômetros o recorde da Apollo 13.

Os quatro astronautas de Artemis II rumo à órbita da Lua

AFP

Como uma bola de basquete

As missões Apollo sobrevoaram a superfície lunar a cerca de 110 quilômetros de distância, mas a tripulação da Artemis II chegará a 6.500 quilômetros em seu ponto mais próximo.

A espaçonave seguirá uma trajetória cuidadosamente planejada para dar a volta na Lua sem entrar em sua órbita. Essa distância permitirá que os astronautas vejam toda a superfície lunar, incluindo regiões próximas aos seus dois polos.

Eles verão o satélite "mais ou menos do tamanho de uma bola de basquete vista com o braço estendido", explicou à AFP Noah Petro, diretor do Laboratório de Geologia Planetária da Nasa.

Artemis II: Nasa lança foguete rumo à Lua em missão tripulada

Gregg Newton / AFP

O lado oculto da Lua

A missão de sobrevoo passará pelo lado oculto da Lua. Os astronautas da Apollo também o sobrevoaram, mas estavam muito perto para vê-lo por completo. A tripulação atual poderá observar regiões que até agora só foram capturadas por dispositivos robóticos de imagem.

Os astronautas treinaram durante anos para observar e descrever as formações geológicas da Lua com a maior precisão possível. Com essas informações, os cientistas da Nasa esperam descobrir novos detalhes sobre a composição e a história da Lua.

Eclipse solar

Perto do fim do sobrevoo, os astronautas presenciarão um fenômeno raro: um eclipse solar. Por cerca de 53 minutos, a espaçonave estará perfeitamente alinhada com a Lua e o Sol, o que fará com que a estrela desapareça de vista.

Eles terão então a oportunidade de estudar a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol, que se tornará visível como uma espécie de halo luminoso e também estarão atentos a possíveis flashes de luz causados por meteoritos que impactem a superfície lunar.

'Nascer da Terra'

Em determinado momento, os astronautas poderão ver a Terra desaparecer e reaparecer atrás da Lua. Sua posição lhes permitiria recriar o famoso "Nascer da Terra" ("Earthrise", em inglês), fotografado pela missão Apollo 8 em 1968.

O astronauta William Anders, em sua foto icônica, capturou o azul brilhante da Terra contra a vasta escuridão do espaço, com a superfície monocromática e repleta de crateras da Lua em primeiro plano.