Relator do PL da Dosimetria na Câmara critica veto de Lula: 'Rasgou a bandeira da paz'
Relator do projeto que altera a dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) criticou o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva Ă proposta e afirmou que a decisĂŁo rompe um esforço de pacificação institucional construĂdo no Congresso. Em vĂdeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar disse que o presidente “rasgou a bandeira branca da paz do Brasil”.
— O Congresso entregou a bandeira branca da paz nas mãos do Lula. Ele rasgou e tocou fogo nela — afirmou Paulinho, ao comentar o veto.
O projeto, conhecido como PL da Dosimetria, foi aprovado pela Câmara e pelo Senado e vinha sendo defendido por seus articuladores como uma tentativa de reduzir tensões polĂticas em torno das condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos envolvidos nos ataques Ă s sedes dos TrĂŞs Poderes. O texto alterava critĂ©rios de cálculo das penas e de progressĂŁo de regime para crimes contra o Estado Democrático de Direito, o que, segundo crĂticos, poderia resultar na redução das condenações já fixadas pela Corte.
Entre os principais pontos da proposta estavam a proibição da soma de penas quando mais de um crime fosse cometido no mesmo contexto — fazendo prevalecer apenas a condenação mais grave — e a flexibilização das regras para progressão de regime, permitindo a mudança para o semiaberto ou aberto após o cumprimento de ao menos 16,6% da pena, independentemente de reincidência ou do uso de violência ou grave ameaça.
Ao comentar o veto, Paulinho da Força argumentou que a proposta nĂŁo configurava anistia e defendia previsibilidade jurĂdica e proporcionalidade das penas. Para o deputado, a decisĂŁo do Palácio do Planalto representa uma opção pelo confronto polĂtico, em vez do diálogo institucional com o Congresso, que construiu o texto de forma suprapartidária.
O parlamentar afirmou ainda que pretende atuar pela derrubada do veto presidencial, que ainda será analisado em sessão conjunta do Congresso Nacional. Para que o veto seja rejeitado, é necessária maioria absoluta de votos tanto na Câmara quanto no Senado.
