Relato de Maíra Cardi reacende discussão sobre preenchedores permanentes na estética

 

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Um vídeo publicado nesta semana por Maíra Cardi trouxe à tona um tema recorrente nos debates sobre procedimentos estéticos: os riscos associados a substâncias permanentes usadas no rosto. A influenciadora contou nas redes sociais que precisará passar por uma cirurgia delicada para retirar Polimetilmetacrilato (PMMA), material que, segundo ela, foi aplicado há cerca de 18 anos em um procedimento destinado a amenizar olheiras profundas e suavizar o chamado "bigode chinês".

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De acordo com Maíra Cardi, na época não houve uma explicação detalhada sobre qual produto estava sendo utilizado. "Em nenhum momento ela falou que estava colocando PMMA na minha cara", revelou a life coach. Com o passar dos anos, porém, começaram a surgir sinais que chamaram sua atenção. A empresária relata episódios de inchaço, assimetria facial e endurecimento em determinadas áreas do rosto. Hoje, afirma conseguir sentir pequenos nódulos sob a pele nas regiões onde o material teria sido aplicado. "Minha cara está inchada. Esse lado está maior que o outro. Eu consigo pegar, sentir o produto", desabafou.

O caso reacende discussões sobre o uso do PMMA em procedimentos estéticos. Diferentemente de preenchedores mais utilizados atualmente, como o Ácido hialurônico, que são absorvidos gradualmente pelo organismo, o PMMA é uma substância permanente. Isso significa que ele permanece no corpo por tempo indeterminado e, em alguns pacientes, pode desencadear reações inflamatórias tardias, que surgem anos depois da aplicação. Entre as possíveis complicações estão formação de granulomas, deformidades e alterações na circulação local.

Segundo a médica especialista em estética Fernanda Nichelle, esse tipo de situação está justamente relacionado à natureza definitiva do material. "A grande questão do PMMA é que ele não é absorvido pelo organismo. Quando ocorre uma reação inflamatória, formação de nódulos ou migração do material, a correção se torna extremamente complexa. Muitas vezes não existe uma forma simples de remover tudo", explica.

A especialista diz ainda que o produto possui indicações específicas dentro da medicina, mas que seu uso em procedimentos estéticos requer avaliação cuidadosa e grande experiência técnica. "O paciente precisa saber exatamente o que está sendo aplicado no rosto ou no corpo. Informação e consentimento são fundamentais em qualquer procedimento", destaca.

Outro ponto sensível envolve justamente a tentativa de retirada da substância. Como o PMMA pode se integrar aos tecidos ao longo do tempo, a remoção completa nem sempre é possível. Em muitos casos, o tratamento exige abordagem cirúrgica e pode incluir a retirada de pequenas áreas de pele ou tecido comprometido.

"É um procedimento que envolve riscos importantes. O rosto é uma região rica em nervos e vasos. Durante a tentativa de retirada do material, existe a possibilidade de lesões, cicatrizes ou alterações na expressão facial. Por isso cada caso precisa ser avaliado com muito cuidado", observa a Dra. Fernanda.

Para a médica, relatos como o de Maíra reforçam a importância de escolher profissionais qualificados e compreender detalhadamente quais substâncias estão sendo utilizadas. "Na medicina estética, o mais seguro é trabalhar com materiais absorvíveis e com histórico consolidado de segurança. Procedimentos permanentes exigem uma indicação muito criteriosa. Beleza nunca pode vir antes da segurança do paciente", alerta.

Outro fator que torna situações desse tipo mais complexas é o intervalo de tempo entre o procedimento e o surgimento das complicações. Em muitos casos, os efeitos aparecem anos depois da aplicação, quando o paciente já não mantém contato com o profissional responsável pelo procedimento. Nessas circunstâncias, a avaliação por especialistas torna-se essencial para definir as possibilidades de tratamento e reduzir riscos.