Reino Unido perde mais um bilionário: gestor de US$ 22 bilhões se muda para a Grécia

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O fundador da Rokos Capital Management transferirá sua residência para a Grécia, segundo pessoas familiarizadas com o acordo. Como parte da mudança, Rokos também abrirá um escritório em Atenas, disse uma das pessoas, que pediu anonimato porque os detalhes são privados. Um representante da Rokos Capital, que administra cerca de US$ 22 bilhões, se recusou a comentar. Taxar bilionários? Cofundador do Spotify diz que deixaria a Suécia se imposto sobre grandes fortunas fosse adotado no país No Brasil: Imposto mínimo de 2% sobre grandes fortunas arrecadaria R$ 30 bi por ano, aponta estudo internacional A decisão representa uma importante vitória para a Grécia, que permite a alguns estrangeiros pagar um imposto fixo anual de 100 mil euros (cerca de R$ 595 mil reais) sobre toda a renda obtida no exterior, e um duro golpe para o Reino Unido. Rokos é o mais recente de uma série de importantes financistas e empresários que decidiram deixar o país após o fim do histórico regime tributário para residentes não domiciliados e de vários aumentos de impostos, incluindo sobre investimentos em private equity, heranças e ganhos de capital. O gestor ficou em terceiro lugar na última lista anual do Sunday Times com os maiores contribuintes do Reino Unido, com uma conta de impostos de 330 milhões de euros, o equivalente a 1,96 bilhão de reais. Chris Rokos, gestor da Rokos Capital Management Reprodução/Bloomberg A saída ocorre enquanto o novo ministro das Finanças, John Healey, prepara seu primeiro orçamento para este outono no Hemisfério Norte, em meio à crescente preocupação com a fragilidade das contas públicas britânicas. Healey afirmou na segunda-feira, em seu primeiro grande discurso, que queria fazer do Reino Unido “um país gerador de riqueza”. Ele prometeu reduzir a carga sobre as empresas, mas não apresentou cortes de impostos. Andy Burnham, que sucedeu Keir Starmer como primeiro-ministro em julho, defendeu impostos mais altos sobre a riqueza, incluindo sobre ganhos de capital e terras. Na América Latina: Imposto sobre super-ricos arrecadaria US$ 24 bi por ano, mostra estudo Healey apresentará seu primeiro orçamento em 28 de outubro, em um cenário complicado: a liquidação global de títulos reduziu quase pela metade a margem fiscal de £ 23,6 bilhões que o governo tinha em março. Especulação sobre aumento de impostos O conflito no Oriente Médio piorou as perspectivas e reacendeu as especulações sobre aumentos de impostos para bancos, petróleo e grandes fortunas. Desde que venceu as eleições gerais de 2024, o Partido Trabalhista aumentou os impostos sobre a riqueza, incluindo os aplicados a residentes não domiciliados, heranças de propriedades rurais e empresas familiares, private equity e mensalidades de escolas particulares. Em seu último orçamento, a então ministra das Finanças Rachel Reeves criou um imposto sobre imóveis avaliados em mais de £ 2 milhões. Veja também: Fortuna dos bilionários cresce três vezes mais rápido desde eleição de Trump; US$ 2,5 trilhões em um ano, diz Oxfam Com patrimônio líquido estimado em cerca de US$ 4 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index, Rokos está entre as figuras mais proeminentes do mercado financeiro britânico. Êxodo de fortunas Bilionários como Guillaume Pousaz, fundador da Checkout.com, e Nassef Sawiris, segundo homem mais rico do Egito, deixaram o Reino Unido após o anúncio, no início de 2024, de reformas no regime para residentes não domiciliados, elaborado pelo governo conservador anterior. O governo posteriormente introduziu mudanças mais amplas, no ano passado. Enquanto isso, o Reino Unido criou um novo programa de quatro anos, chamado regime de Renda e Ganhos Estrangeiros, que oferece isenção de 100% dos impostos britânicos sobre rendimentos obtidos no exterior. Concentração de renda no mundo é a maior em 30 anos: 10% mais ricos têm 75% da riqueza, e metade mais pobre fica com 2% O governo britânico afirma que o novo sistema de quatro anos é mais competitivo, mas países próximos, como Itália e Grécia, criaram na última década seus próprios programas para atrair estrangeiros ricos, com prazos mais longos, semelhantes aos do antigo regime britânico para residentes não domiciliados. A Grécia oferece um regime de 15 anos para investidores de alto patrimônio. A Itália tem um sistema semelhante pelo mesmo período, embora, após aumentos recentes, tenha elevado para € 300 mil o imposto fixo sobre rendimentos obtidos no exterior. A Grécia também tem buscado atrair gestores de fundos e executivos de private equity e, neste verão no Hemisfério Norte, adotou novas regras tributárias para evitar a bitributação. Forbes: Ranking traz os 10 maiores bilionários do Brasil em 2025; veja quem são As novas regras estabelecem que fundos de investimento estrangeiros continuarão a pagar impostos no país onde estão constituídos, independentemente do domicílio fiscal de seus executivos ou de uma empresa abrir escritórios na Grécia. Gestores de fundos que transferirem sua residência fiscal para o país também pagarão uma alíquota de 5% sobre o carried interest, parcela dos lucros do fundo que fica com o gestor como remuneração pelo desempenho A medida conclui uma notável transformação da Grécia, que esteve no epicentro da crise da dívida europeia após a crise de crédito. O país recuperou o grau de investimento, suas ações passaram a ser classificadas como mercado desenvolvido e sua economia cresce mais rapidamente que a da maioria de seus pares europeus.

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