O rei Felipe e a rainha Letícia, da Espanha, visitaram nesta terça-feira o cemitério muçulmano de Ceuta, enclave espanhol no Norte da África, onde estão enterrados a maioria dos mais de 100 imigrantes que, em julho, tentaram cruzar a fronteira a partir do Marrocos. Leia também:
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Espanha ignorou alertas de Ceuta antes da onda migratória, dizem sindicatos da fronteira A visita foi a primeira de um chefe de Estado da Espanha desde 2007, e também a primeira do reinado de 12 anos de Felipe.
A viagem ocorre após piora na relação com o Marrocos, que considera tanto Ceuta quanto Melila, outro enclave espanhol no Norte da África, como parte de seu território. Ceuta tem uma população de 84 mil pessoas concentradas em menos de 20 quilômetros quadrados.
Milhares de residentes foram às ruas do enclave com bandeiras da Espanha para saudar o casal real. “Sou espanhol”, cantavam as pessoas nas ruas.
Historicamente, o governo do Marrocos se opõe à presença de integrantes da monarquia espanhola nos enclaves, que Madri considera como parte de seu território desde os séculos 17 e 15, respectivamente. Falando aos residentes de Ceuta, o rei Felipe disse que a relação do Marrocos com a Espanha e a União Europeia deve se basear no respeito e no “princípio de que Ceuta é Espanha, Ceuta é Europa”.
Em fala no Parlamento do Marrocos na sexta-feira, o rei Mohammed não mencionou a visita do rei Felipe, mas disse que o atual modelo de cooperação sobre migração com a Espanha atingiu seus limites. Embora a maioria dos imigrantes que tentaram entrar em Ceuta tenha saído do enclave posteriormente, ao menos 10.000 ainda permanecem por lá, pressionando as condições locais para acolhimento e despertando críticas ao gabinete de governo em Madri, do primeiro-ministro Pedro Sánchez, que em meio a uma crise sobre moradia no país antecipou eleições para 29 de novembro.
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