Por Gustavo MaiatoPostado em 05 de novembro de 2026 Nem toda banda lendária volta à estrada quando o dinheiro aparece, e o Led Zeppelin talvez seja o exemplo mais emblemático disso.
O caso abriu a live semanal de Regis Tadeu em seu canal no YouTube, exibida nesta terça-feira (3) e dedicada a grupos que acabaram e não vão voltar. Ao lado de Sérgio Martins, Fábio Cristianini e Rodrigo Barth, o crítico lembrou que, logo após a reunião na O2 Arena, em Londres, Jimmy Page recebeu uma proposta para transformar o reencontro em turnê.
Quem vetou foi Robert Plant. Segundo Regis, o vocalista justificou a recusa dizendo que não precisava de dinheiro e não queria voltar ao esquema de turnês incessantes.
Para o crítico, trata-se de algo raríssimo no showbusiness atual: a vontade de não fazer algo mesmo diante de uma oferta irrecusável. Ele enxerga, porém, uma razão mais profunda, ligada ao nível de idolatria que Plant viveu na banda, comparável, em suas palavras, ao de ter sido um Beatle.
"Eu acho que o que acabou também contribuindo para esse lance do Led Zeppelin não voltar é o fato de o Robert Plant ter falado: 'Cara, eu já tive o máximo de adulação que um ser humano pode ter. Nada poderia suplantar isso.
Então, para que eu vou me meter num negócio que não vai atingir o auge?'. Uma volta do Led Zeppelin não atingiria o auge que o Led Zeppelin teve.
O Robert Plant não cantaria como no auge que ele teve. Tudo, na verdade, seria menos.
Então eu acho que isso é o que pesou, para desgosto do Jimmy Page, que ficou putíssimo da vida com isso." Sérgio Martins chegou à mesma conclusão por outro caminho, o da voz.
"Eu acho que o Robert Plant foi muito esperto, porque ele sabe que a voz dele não é mais a mesma, já começa por aí. Ele não atinge mais os agudos que ele atingiu.
Isso se deve a uma operação que ele fez ali por volta de 1990", afirmou o jornalista. Ele lembrou que a cirurgia levou o cantor a cancelar a participação no Rock in Rio de 1991.
Também citou o Deep Purple, com Ian Gillan, e o Whitesnake, com David Coverdale, como casos de vocalistas que já não alcançam as notas originais. Para Sérgio, pesa ainda o fato de Plant não gostar de se prender ao passado.
Enquanto Jimmy Page volta e meia retoma projetos ligados à era do Led Zeppelin, o vocalista preferiu gravar com Alison Krauss e com a Band of Joy, além de explorar a world music. Até a parceria com o guitarrista na dupla Page & Plant rendeu apenas dois discos, "Unledded" e "Walking into Clarksdale".
Fábio Cristianini resumiu o dilema: aquilo que o público ouve com prazer, Plant talvez ouça com dor.
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