A regionalização das restrições à avicultura brasileira ajudou a reduzir as perdas em função dos casos de doença de Newcastle em Santa Catarina. Foi o que afirmou, nesta quinta-feira (5/11), o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
Ele participou de um painel de debates durante o evento Vozes do Agro, realização de Globo Rural e Valor Econômico, em São Paulo. E fez um comparativo da situação atual com o caso anterior da doença no Brasil, registrado em 2024.
Santin afirmou que, dois anos, atrás, a perda de produção chegou a 163 mil toneladas, o equivalente a US$ 300 milhões. Neste ano, o cálculo até momento aponta perda de 21 mil toneladas, em um valor de US$ 50 milhões.
"Newcastle não é bom. Mas isso mostra a maturidade do mundo em relação ao Brasil", disse Santin, ao avaliar de forma positiva o trabalho de defesa sanitária e de contenção do vírus feito em parceria dos governo federal e estadual com o setor privado.
O Brasil identificou quatro focos da doença, todos em granjas comerciais de peru. O caso motivou uma série de restrições à avicultura brasileira.
A maior parte das restrições vale ou para Santa Catarina ou para a área de vigilância sanitária, em um raio de 10 quilômetros do local dos focos, nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Apenas o Uruguai e a Malásia embargaram todo o país.
No Vozes do Agro, Santin afirmou que apenas os uruguaios devem manter o embargo nacional. Entre os malaios, existe a possibilidade de a restrição passar a ser apenas a Santa Catarina, por demanda dos próprio importadores do país.
O presidente da ABPA destacou que os animais infectados nas granjas catarinenses não chegaram a desenvolver a doença. Mas, como houve a detecção do vírus, foi preciso sacrificar os animais para cumprir protocolos sanitários.
Ricardo Santin afirmou que pretende levar à Organização Mundial de Saúde a Animal (ABPA) a sugestão de se debater uma mudança nas regulamentações. A ideia é discutir a necessidade de fechamento de mercados em casos de doença pela qual não houve mortalidade dos animais e que não se transmite pela carne consumida.
Globo Rural