Após dois tornados e duas mortes em SC, Inmet confirma que El Niño chegou à categoria muito forte

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Dois tornados atingiram o Oeste de Santa Catarina na manhã desta quarta-feira (4), e os temporais deixaram duas mortes no estado. No mesmo dia, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou que o El Niño chegou à categoria muito forte, a mais alta da escala usada pela agência do clima dos Estados Unidos (NOAA).

O primeiro tornado passou por Chapecó por volta das 10h30. Uma estação do Inmet registrou rajadas de 126 km/h, e o vento destruiu a entrada do aeroporto, estourou vidraças e derrubou hangares.

Dezoito minutos depois, o segundo tornado atingiu Xanxerê e tombou uma van e uma carreta às margens da BR-282, segundo a Defesa Civil. À tarde, em Rio Negrinho, no Planalto Norte, a cobertura de um posto de combustíveis desabou durante o temporal.

O frentista Jonathan Oliveira da Cruz, de 21 anos, foi socorrido pelos bombeiros e morreu no hospital. Em Xanxerê, uma pessoa morreu depois de levar um choque de um cabo de alta tensão que se rompeu.

Pelo boletim da Defesa Civil de Santa Catarina das 9h desta quinta-feira (5), 106 municípios registraram estragos desde domingo (1º), em 15 regionais. São 5.358 casas atingidas, 56 pessoas desabrigadas e 252 desalojadas.

Chapecó concentra o maior número de residências afetadas, 2.400, seguida de Fraiburgo (891), Palmitos (209), Guatambu (132) e Paraíso (130). Vinte e três cidades decretaram situação de emergência: Abdon Batista, Anita Garibaldi, Catanduvas, Caxambu do Sul, Chapecó, Cunha Porã, Cunhataí, Fraiburgo, Guatambu, Iporã do Oeste, Ipumirim, Jaborá, Monte Castelo, Paial, Painel, Palmitos, Paraíso, Rio das Antas, Rio Rufino, São Carlos, Timbó Grande, Vargem e Zortéa.

A Defesa Civil avisa que o número pode crescer, porque muitos municípios ainda fazem o levantamento dos danos. O dado divulgado pelo Inmet vem da NOAA.

O órgão norte-americano acompanha a temperatura da superfície do mar numa faixa do Oceano Pacífico perto da linha do Equador, chamada Niño 3.4. O índice usado para medir a força do fenômeno, o RONI, compara essa faixa com o restante dos oceanos tropicais, para descontar o aquecimento global.

A média de agosto a outubro de 2026 chegou a +1,97 °C, valor que a NOAA e o Inmet arredondam para +2,0 °C, a marca que abre a categoria muito forte. O índice subiu mês a mês desde o outono: +0,49 °C de abril a junho, +0,97 °C de maio a julho, +1,36 °C de junho a agosto e +1,69 °C de julho a setembro.

Desde 1950, só quatro El Niños passaram de 2 °C nesse índice: o de 1982 e 1983 (+2,4 °C), o mais forte da série; o de 1991 e 1992 (+2,1 °C); o de 1997 e 1998 (+2,3 °C); e o de 2015 e 2016 (+2,3 °C). Em julho de 1983, no fim daquele El Niño, o Rio Itajaí-Açu chegou a 15,34 metros em Blumenau, numa das maiores enchentes da história do Vale do Itajaí.

Na previsão publicada em outubro, a NOAA estimou 96% de chance de o El Niño seguir na categoria muito forte até o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027. A agência também calcula a chance de o fenômeno superar todos os registrados desde 1950, o que exige um índice acima de +2,5 °C: 54% para setembro a novembro, 83% para outubro a dezembro e 70% para novembro a janeiro.

No Brasil, o El Niño costuma trazer chuva acima da média para o Sul e chuva abaixo do normal para o Norte e parte do Nordeste. O Painel El Niño de outubro, feito pelo Inmet, pelo Inpe e por outros órgãos, aponta que o principal risco no Sul continua sendo o de grandes inundações.

Para Santa Catarina, a Epagri/Ciram prevê chuva acima da média de novembro a janeiro, sobretudo no Oeste. A Defesa Civil de Santa Catarina avisa que uma nova frente fria chega ao estado no sábado (7).

Em caso de emergência, a orientação é ligar para o 199 ou para o 193. © Jornal Razão.

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