Reeleição de Lula fortalece Alcolumbre e leva PL a rever planos para o comando do Senado

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais alterou os planos da oposição para a disputa pelo comando do Congresso Nacional em 2027. Com a manutenção do PT no Palácio do Planalto, integrantes do PL passaram a reconhecer que o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ganhou força para permanecer no cargo por mais dois anos.

Segundo reportagem do jornal O Globo, publicada nesta terça-feira (27), uma ala do partido de Flávio Bolsonaro já admite a possibilidade de negociar diretamente com Alcolumbre, diante das dificuldades para construir uma maioria em torno de uma candidatura própria. Apesar dessa avaliação, a legenda ainda não abandonou o projeto de eleger um de seus integrantes para a presidência do Senado.

A mudança de cenário representa um obstáculo para os planos do PL, que pretendia aproveitar o crescimento de sua bancada e uma eventual vitória presidencial de Flávio Bolsonaro para ampliar sua influência sobre o Legislativo. Sem o controle do Executivo, a sigla terá de negociar com partidos que mantêm relações políticas com o governo Lula.

Antes da derrota eleitoral, setores da direita trabalhavam com a possibilidade de eleger o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, para a presidência do Senado. O parlamentar já manifestou publicamente o interesse em assumir o posto e vinculou sua eventual candidatura à implementação de propostas defendidas pela direita, incluindo mudanças nas relações entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Outro nome considerado nas articulações era o da senadora Tereza Cristina (PP-MS). A possibilidade estava associada a um cenário em que Marinho assumisse um ministério em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

O PP apoiou o candidato do PL no segundo turno. Alcolumbre ganha força com vitória de Lula

A avaliação de integrantes do PL é que a reeleição de Lula favorece a continuidade de Alcolumbre no comando do Senado, especialmente pela tendência de partidos de centro apoiarem sua recondução em vez de aderirem a uma candidatura bolsonarista. O atual presidente da Casa já articula sua permanência no cargo e considera ter condições de reunir os votos necessários para vencer a disputa.

Sua posição institucional e as alianças construídas ao longo do mandato são consideradas vantagens diante de possíveis adversários. Embora tenha conquistado a maior bancada de sua história, com 28 senadores, o PL ainda depende do apoio de outras legendas para eleger o presidente do Senado.

São necessários pelo menos 41 votos para garantir o comando da Casa. O tamanho da bancada fortalece a capacidade de negociação do partido, mas não assegura a vitória de um candidato próprio.

A dificuldade se torna maior diante da possibilidade de partidos do centro político priorizarem a manutenção de Alcolumbre. PL avalia negociação, mas mantém projeto de candidatura própria

Apesar do reconhecimento de que Alcolumbre saiu fortalecido das eleições, parte dos parlamentares do PL defende que o partido mantenha a disputa pela presidência do Senado. Esse grupo considera que o crescimento da representação bolsonarista no Congresso precisa resultar em maior participação nas decisões internas da Casa.

A eleição de Rogério Marinho continua sendo uma das alternativas defendidas por integrantes da legenda. Outra questão nas negociações envolve a relação entre o Senado e o STF.

Segundo O Globo, Alcolumbre já havia sinalizado a interlocutores a possibilidade de atender a reivindicações da oposição, inclusive dando andamento a pedidos de impeachment. Entre bolsonaristas, essa possibilidade era interpretada como uma oportunidade para ampliar a pressão política sobre o governo e fortalecer pautas da direita no Senado.

Entretanto, a vitória de Lula levou alguns parlamentares a considerar que esses movimentos poderão perder força. A avaliação é que Alcolumbre precisará administrar as relações com o governo federal e com diferentes partidos para assegurar sua permanência na presidência da Casa.

Reeleição de Lula também fortalece Hugo Motta na Câmara A nova configuração política também afeta a disputa pelo comando da Câmara dos Deputados.

O atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), é considerado outro beneficiado pela reeleição de Lula, em razão de sua interlocução com o governo e com diferentes forças partidárias. Desde o primeiro turno da eleição presidencial, o PL demonstrava interesse em disputar a presidência da Câmara, em vez de apoiar automaticamente a recondução de Motta.

A legenda elegeu 121 deputados federais e pretende utilizar o tamanho de sua bancada como instrumento de negociação para ampliar sua presença na Mesa Diretora e conquistar posições de influência na estrutura da Casa. Entre os nomes mencionados para uma eventual candidatura estão o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o deputado Altineu Côrtes (RJ).

Apesar das pretensões do partido, Motta dispõe de um histórico de articulação com diferentes legendas. Em fevereiro de 2025, foi eleito presidente da Câmara com 444 votos, sustentado por uma aliança de 17 partidos que incluía tanto o PT quanto o PL.

O bloco reunia 494 dos 513 deputados. Para vencer a eleição da presidência da Câmara no primeiro turno, um candidato precisa obter a maioria absoluta dos votos, equivalente a 257 deputados.

A disputa pelas presidências da Câmara e do Senado estará entre as primeiras grandes decisões políticas de 2027. Embora o PL tenha ampliado significativamente sua representação parlamentar, a derrota de Flávio Bolsonaro reduziu suas possibilidades de contar com o apoio do Executivo para conquistar o comando das duas Casas.

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