Recuo de Flávio Bolsonaro impulsiona debate digital sobre fim da escala 6x1, mas esquerda domina repercussão nas redes

Recuo de Flávio Bolsonaro impulsiona debate digital sobre fim da escala 6x1, mas esquerda domina repercussão nas redes - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A votação da proposta pelo fim da escala de trabalho 6x1 no Senado, prevista para quarta-feira, transformou o assunto em um dos principais temas políticos debatidos nas redes sociais nos últimos dias. A discussão ganhou ainda mais volume após a mudança de posicionamento do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), que anunciou na terça-feira que votará a favor da proposta, depois de ter criticado a medida. De um lado, a esquerda apresenta a proposta como uma conquista de direitos trabalhistas e bandeira da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Do outro lado, a direita acusa o governo de explorar eleitoralmente uma pauta popular.

Segundo relatório do Instituto Democracia em Xeque, o debate digital sobre a votação da PEC do fim da escala 6x1 reuniu mais de 733,6 mil publicações de 54,3 mil perfis entre os dias 13 e 14 de outubro, com 7,8 milhões de interações. No recorte de perfis políticos monitorados entre os dias 11 e 14, foram identificadas 1.512 publicações, que somaram 46 milhões de interações. A discussão foi liderada pela esquerda entre os perfis políticos analisados, com 61% das publicações e das interações. A direita concentrou 19% das publicações e 16% das interações, enquanto a imprensa representou 19% das publicações e 23% do engajamento. O relatório mostra que o campo progressista defende o fim da escala como bandeira trabalhista e eleitoral, enquanto o campo conservador participa do debate em torno da posição de Flávio Bolsonaro. Grande repercussão após mudança de Flávio Bolsonaro Nos últimos dias, o debate foi tomado pela mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro. Ele havia classificado PEC como inoportuna e eleitoreira e defendeu a remuneração por hora trabalhada como alternativa. Nesta terça-feira, véspera da votação no Senado, anunciou que votará a favor do projeto. O tema reuniu 432 publicações (29% do total analisado), e concentrou 34% das interações, cerca de 15,5 milhões. Do total de publicações desse grupo, 74% foram atribuídas à esquerda, 21% à direita e 5% à imprensa. Perfis de esquerda recuperaram declarações anteriores do senador e trataram o apoio como um recuo motivado pela pressão popular e pelo risco de desgaste eleitoral. A expressão de que Flávio mudou de posição aos “45 do segundo tempo” ganhou as redes. As publicações também questionaram a proposta de negociação entre empregados e empregadores, com o argumento de que trabalhadores não teriam poder de negociação com os patrões. Entre os perfis de direita, o anúncio foi apresentado como demonstração de apoio aos trabalhadores e de que o fim da escala pode receber apoio para além do campo político de Lula. A mudança de posição também ocorreu em um contexto de redução da resistência à PEC no Senado, com o PL liberando seus parlamentares para decidir como votar. Direitos e qualidade de vida x Oportunismo eleitoral A defesa do fim da escala 6x1 foi o segundo grande tema de discussão entre os perfis políticos. O tema reuniu 338 publicações (22% do total), e aproximadamente 8,4 milhões de interações, correspondentes a 18% do engajamento analisado. Nesse eixo temático, 86% das publicações foram atribuídas à esquerda, a maior concentração de um único campo político em todo o levantamento. A narrativa apresenta a redução da jornada como uma medida para ampliar o tempo de descanso, a convivência familiar e a possibilidade de estudar, frequentar a igreja e manter relações sociais fora do trabalho. Entre os perfis de direita, uma das principais linhas de argumentação é a de que o governo estaria utilizando uma demanda trabalhista para favorecer a campanha de Lula. O levantamento identifica ainda publicações que defendem o fim da escala, mas criticam o uso eleitoral do tema. Também aparecem preocupações com os efeitos econômicos da mudança, como a possibilidade de redução de postos de trabalho, o aumento dos custos aos empresários e as dificuldades de setores que dependem de jornadas diferenciadas.

Votação da PEC A PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), foi aprovada pela Câmara em 27 de maio. O texto em discussão prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com limite de oito horas diárias e dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. No Senado, há a expectativa da votação de um requerimento de calendário especial nesta quarta-feira, que permitiria a análise dos dois turnos no mesmo dia. A aprovação da emenda constitucional exige 49 votos favoráveis em cada turno. Caso o intervalo regimental seja cumprido integralmente, a votação final poderá ficar para depois do segundo turno das eleições.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo