Caso o real tenha um comportamento semelhante ao do peso colombiano, que exibiu valorização expressiva com as perspectivas de uma consolidação fiscal no país após as eleições presidenciais, o dólar poderia ser negociado na faixa dos R$ 4,35, estima o Goldman Sachs. Por outro lado, as projeções do banco apontam que, sem sinais de correção nas contas públicas, o mau humor do mercado poderia levar a moeda americana para a casa dos R$ 5,80.
No caso de maior probabilidade de um cenário fiscal positivo ocorrer após o pleito e supondo que o nível atual de prêmio de risco implique incertezas remanescentes associadas ao arcabouço fiscal, uma eliminação completa desse prêmio resultaria em uma valorização de 5,3% do real, o que poderia levar o dólar para cerca de R$ 4,80.
“Para deixar claro, o real poderia se apreciar para além desses níveis caso os esforços de consolidação fiscal justificassem um prêmio fiscal ‘positivo’, especialmente se o ambiente externo também for favorável ao câmbio brasileiro. Foi o que ocorreu no período de 2006 a 2011, quando o real estava sobrevalorizado em relação aos nossos modelos, o resultado fiscal primário era superavitário e os termos de troca do Brasil estavam melhorando, enquanto o crescimento era forte”, argumenta Teresa Alves, estrategista-sênior de moedas do Goldman Sachs.
Além disso, uma referência alternativa para o risco de valorização do real seria o desempenho do peso colombiano após as eleições de 2026 no país, segundo a estrategista, o que poderia implicar uma queda de 15% do dólar ante o real, para a faixa dos R$ 4,35.
Por outro lado, em um cenário fiscal negativo, “supondo que a defasagem de desempenho do real em relação ao nosso modelo retorne aos níveis máximos observados em dezembro de 2024, isso implicaria uma depreciação de 14% do câmbio brasileiro, levando o dólar para cerca de R$ 5,80”, aponta.
Ainda que boa parte do mercado venha mantendo o otimismo com o câmbio brasileiro devido ao elevado diferencial de juros entre o Brasil e a maioria das economias, o chamado “carry trade” pode não se bastar no pós-eleição, argumenta a estrategista, em relatório.
Segundo a profissional, o ambiente global de risco deve se mostrar fundamental depois que a eleição passar. “E o alto ‘carry’ não é uma proteção confiável. Por exemplo, mesmo com as nomeações de integrantes mais ortodoxos para o gabinete da presidente [Dilma] Rousseff em 2014, o real acabou retomando uma trajetória de enfraquecimento ao longo de 2015”, diz em trecho do documento.
“Isso foi impulsionado por fatores domésticos (um cenário de estagflação que exigia um real mais fraco como parte do ajuste macroeconômico), mas o ambiente externo também era desafiador para a moeda brasileira, com a valorização generalizada do dólar, a queda dos preços globais das commodities e a deterioração dos termos de troca do Brasil.”
Alves afirma, assim, que os níveis elevados de “carry” não foram necessariamente uma proteção para os retornos do real em 2014, uma vez que, naquele ambiente adverso, a taxa de juros real necessária para estabilizar a inflação e o câmbio era mais alta. “Em contraste, em 2018, o ‘carry’ cambial era menor do que é atualmente, e ainda assim o real teve um bom desempenho ao redor do período eleitoral.”
Assim como outros profissionais do mercado já vinham apontando, os resultados do primeiro turno podem já ter um grande impacto no mercado de câmbio. Ao analisar os últimos pleitos, a estrategista aponta que, em 2022, um resultado presidencial mais apertado do que o esperado e uma mudança para a centro-direita no Congresso levaram o real a se valorizar 4,5% na segunda-feira após a eleição, embora a moeda tivesse se depreciado dias antes. “O padrão foi semelhante em 2014: depois de o real se enfraquecer na semana anterior ao primeiro turno, a moeda se valorizou 1,3% na segunda-feira, à medida que o candidato de oposição Aécio Neves teve um desempenho melhor do que o esperado.”
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