A Yduqs, dona de Estácio e Ibmec, e a Afya, assinaram no início da noite desta quarta-feira a fusão das duas companhias, segundo pessoas que acompanham as negociações. No fim de agosto, as duas empresas já tinham antecipado que estavam conversando sobre uma possível fusão.
O racional por trás do negócio é criar uma complementariedade que permita a expansão das operações. Com o aumento no número de cursos de medicina no país e, consequentemente, a crescente concorrência nesse segmento, a Afya ganharia escala operacional. Do outro lado, a Yduqs agregaria uma rede de ponta na área de saúde a seu portfólio.
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Juntas, as duas companhias somariam mais de R$ 9,2 bilhões em valor de mercado. A Yduqs está avaliada em R$ 2,98 bilhões, enquanto a Afya, a US$ 1,2 bilhão (ou R$ 6,2 bilhões).
No segundo trimestre deste ano, Yduqs registrou lucro líquido de R$ 14 milhões, 54,2% abaixo do registrado em igual período de 2026. De janeiro a junho, o ganho foi de R$ 11 milhões, queda de 11% ante ao primeiro semestre do ano passado.
Já a Afya, listada na Bolsa de Nova York, teve lucro líquido R$ 463 milhões no primeiro semestre, aumento de 6,8% ante aos seis meses iniciais de 2025.
A medicina é o segmento premium do ensino superior privado. Na Idomed, por exemplo, unidade de medicina da Yduqs, o tíquete médio de um aluno matriculado há mais de um ano foi de R$ 13.037 no primeiro semestre. Nos demais cursos presenciais do grupo, a mensalidade média ficou em R$ 973. A escala pesa nessa parceria. A Yduqs soma 11,8 mil alunos em medicina, ante a 380 mil no presencial.
A Afya opera 38 instituições no segmento de saúde no Brasil, 32 delas com cursos de medicina e 25 oferecendo pós-graduação e educação continuada em áreas de saúde e médicas no país.
Segundo Paulo Presse, coordenador de estudos de mercado da Hoper Educação, juntas Afya e Yduqs se tornam uma gigante no ensino privado de medicina, com cerca de 38 mil alunos e quase 5,9 mil vagas anuais nessa área.
As grandes transações têm feito parte dos avanços da Yduqs. Em 2019, a companhia fechou a compra da Adtalen Brasil, dona de Ibmec, por R$ 1,92 bilhão. Anos antes, em meados de 2016, chegou a anunciar a fusão da Estácio com a Kroton (agora Cogna) numa transação de R$ 5,5 bilhões. O negócio, no entanto, acabou barrado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no ano seguinte.
Folha de Pernambuco