Ramiro Martínez revela bastidores de 'Jogada de Risco' e repercussão após cenas de nudez: 'Recebi mensagens bem criativas'

Ramiro Martínez revela bastidores de 'Jogada de Risco' e repercussão após cenas de nudez: 'Recebi mensagens bem criativas' - Foto
Fonte da notícia: Revista Quem Revista Quem

Antes de estourar na pele do jogador de futebol Nacho de Jogada de Risco, série original do Globoplay que estreou no fim de julho, e chamar a atenção do público brasileiro, Ramiro Martínez estava longe de imaginar que a atuação seria seu caminho profissional. Formado em administração de empresas, o argentino, de 41 anos, passou alguns anos trabalhando antes de descobrir, em uma aula de teatro, uma possibilidade que mudaria completamente sua trajetória.

A experiência foi quase uma ruptura com a vida que ele conhecia. "Eu fazia meu trabalho, mas não me apaixonava por ele. Sentia que ainda estava procurando alguma coisa. Até que cheguei a uma aula de teatro, e foi como se tivessem quebrado a minha cabeça. Descobri que podia criar, entrar em personagens e, através deles, entrar em partes diferentes de mim mesmo. Saí dali com uma certeza: era isso que eu queria fazer", conta.

Ramiro lembra que a sugestão para experimentar o teatro veio de um antigo chefe, que se tornou um dos seus melhores amigos e que também é dramaturgo na Argentina. "Ele me via em reuniões e projetos, me adaptando a cada situação, e achou que eu poderia me dar bem no teatro. Foi assim que cheguei lá e descobri uma das minhas maiores paixões. O que me fascinou foi perceber que eu podia usar aquela mesma capacidade de me adaptar, só que agora para criar, não para cumprir uma meta de trabalho", lembra. Nascido em Choele Choel, pequena cidade argentina, Ramiro passou praticamente toda a infância em Buenos Aires, para onde se mudou quando tinha apenas um ano de idade. A cidade natal, contudo, parece ter deixado nele uma relação particular com a natureza. "Às vezes brinco que sou como uma tartaruga de água que deixaram no meio do asfalto. Talvez por isso eu tenha uma relação tão forte com a natureza. No Rio, cercado de verde e mar, sinto que é realmente um paraíso", elogia ele, que está morando na Cidade Maravilhosa.

Ramiro Martínez Marcos Michel | Studio II | Divulgação Trajetória A carreira de Ramiro foi construída ao longo de quase uma década, com trabalhos na Argentina em produções como El Marginal, Ringo e Los Protectores, além do teatro. Entre os personagens que mais exigiram do ator, ele cita o lutador de Quinto Round, experiência que ultrapassou a preparação física e acabou deixando uma espécie de mantra pessoal. "Durante a preparação, depois de um sparring pesado, fiquei completamente exausto, sem força nenhuma. E aprendi uma coisa que ficou comigo: posso cair sete vezes, mas vou me levantar oito", diz. Se Quinto Round ensinou Ramiro sobre resistência, Nacho representou uma transformação ainda maior. O personagem de Jogada de Risco exigiu preparação física, domínio de outro idioma e uma imersão cultural para o ator, que precisou encontrar o jeito certo de expressar os conflitos do personagem em português. "Talvez o personagem que mais me transformou tenha sido o Nacho, não só fisicamente, mas porque foi a primeira vez que vivi algo tão intenso trabalhando em português, dentro de uma cultura diferente da minha", avalia.

Ramiro Martínez é Nacho em 'Jogada de Risco' Beto Roma/Divulgação Novo lar A chegada ao Brasil não aconteceu de uma hora para outra. Ramiro já alimentava o desejo de trabalhar no país. "Eu dizia que ainda iam me mandar um avião para trabalhar na Globo. E foi exatamente o que aconteceu", conta, aos risos.

Apesar da mudança, ele não deixou para trás a carreira construída na Argentina. "Eu não sinto que abandonei uma carreira. Sinto que trouxe comigo tudo o que vivi até aqui. A vida está em constante transformação, e eu gosto de acompanhar essas mudanças", reflete.

O Brasil também ganhou significado pessoal rapidamente. Ramiro conta que encontrou acolhimento entre os colegas de elenco, como Cauã Reymond, Cauê Campos e Mariana Sena, e que pequenos momentos fora do trabalho foram importantes para que ele transformasse a adaptação em algo mais natural. "Eu percebi que pertencia ao Brasil dançando e cantando pagode com meu amigo Cauê Campos. Ali eu não estava mais só trabalhando no Brasil, estava começando a fazer parte dele", lembra. Nacho (Ramiro Martinez) Fábio Rocha/Globo De fã a colega A parceria com Cauã Reymond teve ainda um componente simbólico. Ramiro já conhecia o trabalho do ator por Avenida Brasil, que havia acompanhado na Argentina por sugestão de um produtor da Telefe. "Na época, jamais imaginaria que anos depois estaria trabalhando ao lado dele. Acho bonito pensar que existe uma combinação entre as escolhas que a gente faz e algumas coisas que simplesmente acontecem. Eu me preparei para estar pronto quando a oportunidade aparecesse", afirma.

Assumir um dos principais personagens de uma produção brasileira em seu primeiro trabalho no país poderia ser motivo de pressão, mas Ramiro tentou encarar a experiência com leveza. O idioma foi naturalmente um desafio, mas não foi o aspecto que mais o preocupou. "O maior desafio, na verdade, foi o próprio Nacho: o conflito interno dele é muito profundo, e eu precisava transmitir isso em poucos segundos, às vezes só com um olhar", avalia.

Cauê Campos e Ramiro Martínez nos bastidores de 'Jogada de Risco' Reprodução/Instagram Cauê Campos e Ramiro Martínez nos bastidores de 'Jogada de Risco' Reprodução/Instagram Trabalho árduo A transformação também aconteceu diante do espelho. Para construir o físico de um jogador profissional, Ramiro treinou durante cerca de quatro meses, priorizando as pernas e alterando as proporções de sua rotina de academia. A alimentação, por outro lado, não precisou passar por grandes mudanças. "A parte mais curiosa foi me olhar no espelho depois de ficar completamente depilado e loiro. Levei uns dias para me acostumar com aquele novo amigo que eu estava criando", reconhece, rindo.

O visual e, principalmente, as cenas de nudez de Jogada de Risco fizeram com que o personagem ganhasse uma repercussão particular nas redes sociais. Ramiro diz ter recebido milhares de mensagens e encara o assédio com bom humor, sem perder de vista a função narrativa das cenas. "A nudez está ali por uma razão dramática. Não é a nudez que me interessa, é aquilo que ela revela sobre o personagem. Eu não preciso que o público goste dele. Eu quero que ele sinta alguma coisa", argumenta.

Nudez A preparação para essas sequências envolveu conversas com o diretor Bruno Safadi e o trabalho da coordenadora de intimidade Eduarda Azevedo. Ramiro conta que a equipe buscou criar um ambiente seguro, com sets reduzidos e comunicação constante durante as gravações. "As cenas foram feitas em sets reduzidos, com muita comunicação e respeito, e isso me fez sentir seguro durante o processo", garante, A repercussão também trouxe uma consequência previsível: o aumento das cantadas. Ramiro admite que percebeu a mudança, especialmente nas redes, mas prefere não transformar as mensagens mais ousadas em assunto público. "Sem dúvida aumentou um pouco (risos). As redes deixam isso bem claro. Recebi mensagens bem criativas. Prefiro não entregar os melhores exemplos porque talvez alguém ainda esteja vendo", justifica, aos risos.

Solteiro, o ator diz estar vivendo o momento sem neuras. "Neste momento, estou sozinho e sem pressa. Estou vivendo uma fase muito intensa profissionalmente, descobrindo um país novo e construindo uma nova etapa da minha vida", afirma.

Breno Ferreira e Ramiro Martinez Reprodução/Instagram Copa do Mundo 2026 Embora interprete um jogador em Jogada de Risco, o futebol já fazia parte da vida de Ramiro. No Brasil, escolheu o Flamengo; na Argentina, o coração é do Independiente. Para viver Nacho, contudo, ele precisou observar o esporte para além do campo, entendendo a pressão, a exposição e a relação dos atletas com a torcida. "Para construir o personagem, precisei mergulhar mais fundo: observar não só o jogo, mas o comportamento dos atletas, a pressão, a relação com a torcida. Hoje enxergo esse universo com outros olhos", diz.

E se havia uma experiência capaz de colocar seu lado argentino em evidência, era viver a Copa do Mundo de 2026 no Brasil. Ramiro acompanhou a competição, torceu por Messi e entrou na tradicional rivalidade entre os dois países com bom humor. "Viver uma Copa no Brasil sendo argentino tem uma graça particular (risos), mas as provocações ficaram sempre no campo da brincadeira. Foi um pouco solitário em alguns momentos, longe da Argentina, mas também muito especial acompanhar tudo bem aqui, no que hoje já é minha casa", conta.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Revista Quem