Quinta edição da ArPa consolida modelo curatorial para expositores e abre portas para galerias latinas no país

Quinta edição da ArPa consolida modelo curatorial para expositores e abre portas para galerias latinas no país

 

Fonte: Bandeira



Em sua quinta edição, a ArPa (sigla para Arte Participativa) se consolida como um modelo de feira com espaços curados e um número reduzido de artistas mostrados por estande, como diferencial em relação a outros eventos do setor. Inaugurada nesta quarta-feira (27) para convidados na Mercado Livre Arena Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo, a feira segue aberta ao público até domingo, reunindo 54 galerias brasileiras e internacionais, além de expositores institucionais e editoriais.

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No Setor Principal, os espaços apresentam, em sua maioria, solos ou duos, entre artistas históricos e contemporâneos, a exemplo da Pinakotheke (Farnese de Andrade), Movimento (Viviane Teixeira), Fortes D’Aloia & Gabriel (Rodrigo Matheus), DAN (Dionísio del Santo), Raquel Arnaud (Felipe Pantone e Wolfram Ullrich), OMA (Eduardo Freitas e Luiz Pasqualini).

A partir do convite da diretoria da feira, os galeristas apresentam projetos para os estandes para o comitê de conteúdo, formado por profissionais do setor. A demanda por um evento onde a curadoria fosse o diferencial veio de entidades do segmento, a Abact (Associação Brasileira de Arte Contemporânea) e a Agab (Associação de Galerias de Arte do Brasil) e, nesse período, os expositores foram encampando a proposta de mostrar menos artistas, mas com mais profundidade.

— Houve uma resistência inicial. Muitos galeristas queriam continuar fazendo o que já estavam acostumados em outras feiras, e passaram a acreditar quando viram que dava certo. Hoje, eles não só aceitaram a ideia como se engajaram totalmente, já pensam no artista que vão expôr no ano seguinte — conta Camilla Barella, fundadora e diretora da ArPa. — Obviamente, é uma feira de negócios, onde as vendas são importantes. Mas mostramos que dá para fazer isso num espaço pensado menos como varejo, apresentando trabalhos de forma aprofundada. É importante ter essa variedade de modelos de feira, são projetos complementares.

Outra característica é a opção por não separar galerias de mercado primário (com trabalhos negociados pela primeira vez, de artistas representados) do secundário (de revenda de obras).

— Você pode acabar de ver uma produção de um artista jovem e ir para uma seleção como a Pinakotheke fez do Farnese de Andrade, que poderia estar exposta num museu. E perceber como essas conexões atravessam épocas, gerações — avalia Cristina Candeloro, diretora de relacionamento institucional da ArPa. — E esses diálogos podem ser feitos também no mesmo estande, como a Danielian fez com a Ottavia Delfanti, uma artista super jovem, e um nome histórico como o Frans Krajcberg. São provocações intelectualmente estimulantes para o galerista e instigantes para o público.

Visão geral do Setor Principal da ArPa

Divulgação/Gui Caielli

Os artistas também tomam partido da possibilidade de ocupar um estande com um solo, a exemplo de André Griffo, que apresenta na Nara Roesler uma seleção de telas abstratas da série “O sonho de Constantino”, iniciada em 2024 e inspirada por afrescos de Piero della Francesca na Catedral de Arezzo.

— Quando preenchia partes dos trabalhos figurativos, imaginava cada pedaço daqueles como pequenas áreas abstratas. Tinha essa vontade de me aproximar mais dos abstratos, ter essa liberdade — explica Griffo. — A possibilidade de ocupar o estande com telas maiores cria uma sensação de que formam uma só paisagem, algo que também me interessa.

Já a gaúcha Bolsa de Arte, que reabre sua sede em Porto Alegre em 13 de junho, trouxe uma seleção de obras recentes de Bruno Novelli, em sua segunda participação na feira.

— São trabalhos dos últimos três anos, acredito que 90% deles não tenham sido mostrados em São Paulo. Mesmo sendo um recorte recente, aponta para espectros diferentes da minha produção — acredita o artista.

Diálogos latinos

A feira também é vista como uma chance de abertura do mercado brasileiro à arte latino-americana. É o caso da Coral Gallery, baseada em Miami, que volta à ArPa após a estreia no ano passado mostrando dois artistas argentinos, Chiara Baccanelli e Lucas Pertile.

— O mercado brasileiro é um dos mais difíceis (de entrar), bem doméstico. Mas, aos poucos, as coleções estão se abrindo a artistas de outras regiões. Viemos timidamente no ano passado, mas decidimos voltar a partir da boa repercussão que tivemos — comenta Isabel Tassara, diretora da galeria.

Agência O Globo

Divulgação/Gui Caielli

No Setor Uni, com 14 solos selecionados por Ana Sokoloff, curadora colombiana radicada em Nova York, a galeria porto-riquenha PerezPuig fez sua estreia na feira com um conjunto de trabalhos de Kiván Quiñones Beltrán.

— Faço um diálogo com o surrealismo, o subconsciente. Porto Rico tem uma identidade muito fragmentada, e, de certa maneira, minhas obras reúnem esses fragmentos em uma só composição — comenta Beltrán, em sua primeira viagem ao Brasil. — Ao mesmo tempo em que os trabalhos falam de questões mais distantes, do Caribe, percebo uma conexão grande com a cena de Porto Rico e Brasil. A simbologia, a afrodescendência, acho que há muito em comum com as práticas contemporâneas brasileiras.

Nelson Gobbi viajou a convite da ArPa