Quem são os Homens da Lama? Conheça a tradição que intriga o mundo em Papua-Nova Guiné

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Entre as centenas de povos que habitam Papua-Nova Guiné, poucos despertam tanta curiosidade quanto os Homens da Lama de Asaro. Cobertos por uma espessa camada de argila cinzenta, usando enormes máscaras de barro com olhos esbugalhados, presas de porco e chifres, eles se tornaram um dos principais símbolos culturais do país e atraem milhares de visitantes todos os anos. Dois corpos em decomposição são encontrados em trilha turística dos EUA; casal é acusado de assassinatos Mulher é absolvida por insulto racista a criança, mas acaba condenada por 'conduta desordeira' contra homem que filmou cena nos EUA A tradição nasceu no Vale de Asaro, nas Terras Altas Orientais de Papua-Nova Guiné, país da Oceania conhecido por sua extraordinária diversidade cultural. A região abriga quase mil grupos étnicos e mais de 850 idiomas, cada um com costumes próprios preservados ao longo de séculos. Segundo a lenda mais difundida, os moradores do vale foram derrotados por uma tribo rival e buscaram refúgio às margens do rio Asaro. Ao emergirem da água durante a noite, completamente cobertos pela argila clara do leito do rio, teriam sido confundidos com espíritos pelos inimigos, que fugiram assustados. A partir desse episódio, o povo Asaro teria adotado a pintura corporal e as máscaras como forma de intimidar adversários. Embora essa narrativa seja amplamente conhecida, pesquisadores apontam que não há evidências históricas que comprovem o episódio. A história pode ser resultado da combinação entre fatos reais e elementos mitológicos transmitidos oralmente ao longo das gerações. Mais do que um recurso de guerra, as máscaras possuem forte significado espiritual. Na tradição Asaro, a argila representa a ligação entre o mundo dos vivos e o dos ancestrais. Durante cerimônias e celebrações, os participantes encarnam figuras conhecidas como holosa — espíritos ou fantasmas — em apresentações que simbolizam proteção, força e continuidade da comunidade. A versão atual dos Homens da Lama, no entanto, é relativamente recente. Em 1957, durante a primeira edição do Goroka Show, um dos principais festivais culturais de Papua-Nova Guiné, o líder Ruipo Okoroho foi convidado a apresentar uma manifestação tradicional do povo Asaro. Inspirado em antigos trajes conhecidos como girituwai, ele recriou a tradição com adaptações para o espetáculo. As máscaras passaram a ser confeccionadas em barro, ganharam feições ainda mais expressivas e passaram a compor apresentações coreografadas que rapidamente chamaram a atenção do público. Com o passar das décadas, a tradição evoluiu. As máscaras deixaram de transmitir apenas expressões agressivas e passaram a representar diferentes emoções, enquanto os materiais utilizados na confecção também mudaram, acompanhando a disponibilidade de recursos e a própria transformação da manifestação cultural. Hoje, os Homens da Lama são uma das imagens mais conhecidas de Papua-Nova Guiné. Suas apresentações continuam preservando elementos da identidade do povo Asaro, ao mesmo tempo em que se consolidaram como uma das maiores atrações turísticas e culturais do país.

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