A Arquidiocese de Campo Grande (MS) abriu, na última terça (20), o inquérito diocesano da causa de beatificação do padre italiano João Crippa. Missionário salesiano e discípulo de São João Bosco, o religioso dedicou parte de sua vida à educação, à assistência social e à evangelização na capital sul-mato-grossense. Considerado um dos nomes ligados à fundação da cidade, ele poderá se tornar o primeiro santo de Mato Grosso do Sul caso avance até a canonização. Deolane Bezerra diz ter sofrido ameaça de morte e intolerância religiosa na prisão, relata irmã da influenciadora França registra primeiro caso humano do vírus Shamonda, comum em gado; autoridades descartam risco à população Crippa nasceu na Itália e integrou a Congregação Salesiana, fundada por Dom Bosco, com quem conviveu. Antes de desembarcar no então Mato Grosso, o sacerdote passou pelo Uruguai, onde começou sua atuação missionária na América do Sul, segundo a agência de notícias católica aci digital. Em Campo Grande, o padre participou do desenvolvimento de iniciativas religiosas e educacionais que marcaram a história da cidade. Entre elas, estão a criação da Paróquia São José e do Oratório São José, espaços que contribuíram para a evangelização e a formação de jovens. Sua atuação também foi importante para a consolidação da educação salesiana na região. Crippa mobilizou recursos e benfeitores para a construção do Colégio Salesiano Dom Bosco e participou da fundação do Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Além do trabalho religioso e educacional, o sacerdote se envolveu em ações de assistência a indígenas, pessoas em situação de vulnerabilidade e detentos. Na área da saúde, colaborou para a organização da Santa Casa de Campo Grande como associação. Sua atuação o aproximou de personalidades da história regional, como Dom Aquino Corrêa, então governador de Mato Grosso, e o senador Pedro Celestino. O padre morreu em Três Lagoas, também em Mato Grosso do Sul, em 1941. Dez anos depois, seus restos mortais foram transferidos para Campo Grande, após solicitações de moradores da cidade. Atualmente, estão sepultados na Paróquia São José, na região central da capital. Processo de beatificação Com a autorização da Santa Sé, concedida por meio do documento Nihil Obstat, o religioso recebeu o título de Servo de Deus, primeira etapa oficial do caminho que pode levar à declaração de santidade. A investigação busca reunir informações sobre a vida do sacerdote, suas virtudes e a reputação de santidade entre os fiéis. A arquidiocese também pretende examinar relatos de graças atribuídas à intercessão de Crippa, incluindo cartas deixadas espontaneamente por devotos junto ao seu túmulo. Os preparativos para a abertura do inquérito começaram cerca de três anos antes, com a formação de uma comissão encarregada de reunir documentos e encaminhar a solicitação às autoridades do Vaticano. O processo conta com a participação do postulador italiano Paolo Vilotta, que também trabalhou na causa de canonização de Santa Dulce dos Pobres. A abertura da investigação não garante que Crippa será beatificado ou canonizado. Depois da conclusão da fase diocesana, os documentos serão encaminhados para análise das autoridades da Igreja. Em regra, a beatificação depende do reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão do candidato, enquanto a canonização costuma exigir a comprovação de um segundo milagre, ocorrido após a beatificação.
Quem foi o padre italiano que pode se tornar o primeiro santo de Mato Grosso do Sul
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O Globo
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