A pergunta sobre o comando do agro no Lula 4 ganha um nome com Teti e um limite com Lupion: a FPA não indicará ministros, mas quer dialogar com os escolhidos. Quem falará pelo agro no Lula 4? A pergunta ganhou um nome na reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), na terça-feira: Carlos Ernesto Augustin, o Teti, que esteve presente no encontro.
Assessor especial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ex-presidente do Conselho de Administração da Embrapa, ele defendeu a abertura de diálogo com o PT. Seu nome circula como possibilidade para comandar o Mapa no quarto mandato de Lula.
Circular, em Brasília, ainda não é o mesmo que receber a chave do gabinete. A presença de Teti na reunião sinaliza disposição para conversar com um setor que, em sua maioria, apoiou outro projeto nas urnas.
Mas a nomeação não está definida, e a interlocução não se resolve com um único nome. O agro reúne produtores, cooperativas, agroindústrias e cadeias com demandas diferentes.
A ponte precisa chegar a quem produz e também ao centro das decisões. Pedro Lupion deixou claro que a FPA não pretende indicar ministro.
Como a bancada apoiou Flávio Bolsonaro, o presidente da frente disse que não cabe ao grupo escolher integrantes do governo Lula. A atuação, afirmou, será buscar diálogo com os ministros escolhidos e defender pautas convergentes com o setor.
É uma posição de coerência política e também uma maneira de dizer que a porta para a conversa continua aberta. Lupion apontou três pastas decisivas para o agro: Agricultura, Meio Ambiente e Fazenda.
O Mapa é o interlocutor mais óbvio, mas crédito rural, Plano Safra e subvenção ao seguro dependem de orçamento e, portanto, da Fazenda. Já as decisões ambientais pesam sobre a produção e sobre o acesso a mercados.
Lupion avaliou como péssima para o agronegócio a possibilidade de Marina Silva voltar ao Meio Ambiente, citando a falta de diálogo com a bancada. Pedro Lupion explica por que a FPA não pretende indicar ministros para o Lula 4 e aponta as pastas que concentram as principais pautas do agro.Vídeo: Letícia Schlindwein/ND Mais
O plano de governo de Lula promete ampliar o crédito rural, diversificar o financiamento pelo mercado de capitais, reduzir custos de logística e armazenagem e fortalecer o seguro. Também associa rastreabilidade, recuperação de pastagens e metas ambientais à competitividade externa, além de apostar nos biocombustíveis.
São diretrizes importantes, mas o documento não detalha quanto será investido, de onde virão os recursos nem como os compromissos chegarão à propriedade. E a política nacional de fertilizantes, tema estratégico para reduzir dependência externa, nem aparece entre as propostas para o agro.
A pergunta, então, não é apenas quem ocupará a cadeira do Mapa. É quem vai defender essas prioridades quando a disputa chegar ao orçamento, ao Plano Safra e às regras ambientais.
Em Brasília, a Fazenda costuma ter a última palavra quando a conversa vira conta. Se Lula quer uma relação diferente com o setor, escolher um ministro com trânsito no agro será só o começo.
O interlocutor precisa ter acesso ao presidente, força para articular Agricultura, Fazenda e Meio Ambiente e disposição para ouvir também quem não está no salão da FPA. Sem isso, a ponte fica bonita no discurso e estreita na passagem.
O agro não precisa de um porta-voz decorativo, nem de mais uma rodada de reuniões para a fotografia. Precisa de alguém que leve as demandas do campo ao Planalto e volte com orçamento, prazo e decisão.
No Lula 4, a resposta sobre quem falará pelo agro vai aparecer menos na placa do gabinete e mais no que realmente vai chegar à propriedade.
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