Quem é Zoe Lucas, naturalista canadense que vive isolada em ilha remota há cerca de 50 anos

Quem é Zoe Lucas, naturalista canadense que vive isolada em ilha remota há cerca de 50 anos - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Zoe Lucas chegou a Sable Island, uma estreita faixa de areia localizada a mais de 150 quilômetros da costa da Nova Escócia, no Canadá, há mais de cinco décadas. O que começou como uma experiência ligada à arte acabou se transformando em uma vida dedicada à natureza: desde então, a canadense passou boa parte da vida adulta na ilha, onde pesquisa cavalos selvagens, vegetação, insetos e animais marinhos, além de acompanhar os efeitos da poluição no ambiente. Vídeo: Universidade cria escultura de monstro de 15 metros feita com lixo para alertar sobre poluição nos oceanos Entenda: Pico mais alto dos Alpes e da Europa Ocidental, Monte Blanc está quase dois metros maior que em 2023 Lucas conheceu Sable Island quando ainda era estudante do Nova Scotia College of Art and Design, em Halifax. Ela ouviu falar do local enquanto trabalhava como assistente de cozinha durante as férias e ficou fascinada ao ver antigas fotografias em preto e branco da ilha. Em 1974, conseguiu retornar como voluntária de uma equipe da Universidade Dalhousie que pesquisava focas. Depois de algumas temporadas trabalhando com o grupo, Lucas assumiu a função de gerente de um projeto de restauração do terreno da ilha. Nesse período, também concluiu um mestrado em Belas-Artes e dava aulas em tempo parcial. A relação com Sable Island, porém, se tornou cada vez mais intensa. Em 1982, ela deixou a faculdade de arte e passou a trabalhar em tempo integral nos projetos realizados no local, permanecendo entre oito e dez meses por ano na ilha. Uma vida dedicada à pesquisa Ao longo das décadas, Lucas participou de uma série de programas de pesquisa e monitoramento. Entre eles estão estudos sobre o lixo persistente no ambiente marinho, a interação entre tubarões e focas e a história natural dos cavalos selvagens de Sable Island. A naturalista também realizou levantamentos das praias em busca de aves marinhas contaminadas por petróleo e de cetáceos encalhados. Outros projetos foram voltados para a biodiversidade da ilha, incluindo o registro de musgos, líquens e invertebrados. Animais na Sable Island Divulgação / Sable Island Institute / Zoe Lucas Em um dos trabalhos de restauração, Lucas transplantou capim de praia para ajudar a estabilizar a areia e reduzir os efeitos da erosão nas dunas. Ela também catalogou espécies da vegetação local e produziu levantamentos sobre abelhas e outros insetos polinizadores. Parte dos resultados de suas pesquisas foi publicada em revistas científicas especializadas, além de boletins e outras publicações. Da arte à conservação A trajetória de Lucas também levou à criação de organizações voltadas à preservação de Sable Island. Em 2002, ela fundou a Friends of the Green Horse Society, entidade sem fins lucrativos criada para apoiar estudos sobre a biodiversidade da ilha. Dois anos depois, tornou-se pesquisadora associada do Nova Scotia Museum. Em 2008, recebeu um doutorado honorário da Universidade Dalhousie. Lucas também é uma das fundadoras e presidente do Sable Island Institute, organização multidisciplinar que ampliou o trabalho iniciado pela Green Horse Society. O instituto promove pesquisa, educação e divulgação científica relacionadas aos valores naturais e culturais da ilha. Sable Island, onde vive a naturalista Zoe Lucas Divulgação / Sable Island Institute / Zoe Lucas A ilha dos cavalos selvagens Sable Island é conhecida principalmente por sua população de cavalos selvagens, além das condições ambientais difíceis. Localizada no Atlântico Norte, a ilha é marcada por neblina frequente, clima rigoroso e um histórico de naufrágios. Foi justamente a possibilidade de observar esses animais que despertou inicialmente o interesse de Lucas. O contato com o ambiente, entretanto, fez com que ela ampliasse o foco para todo o ecossistema. Ao longo de décadas, seus registros ajudaram a construir um conjunto de informações sobre a biodiversidade e as transformações ambientais da região. A ilha passou a receber maior atenção institucional e, em dezembro de 2013, foi colocada sob a proteção da legislação canadense de parques nacionais como Reserva de Parque Nacional.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo