No último domingo (25), quando a apuração da eleição para presidente do Brasil ainda não tinha ultrapassado 5% das urnas, um modelo estatístico já apontava o desfecho da disputa: Lula venceria Flávio Bolsonaro por 51,7% dos votos válidos. Quase duas horas depois, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciava que o candidato do PT estava oficialmente eleito.
A porcentagem? 51,79%. O gráfico produzido pela metodologia rapidamente viralizou nas redes sociais e, depois do pleito, já se transformou em estampa para camisetas e bonés e em arte para tatuagens.
Esse modelo matemático, que ainda não tem nome, foi criado pelo bacharel em Economia e mestre em Ciência Política Rodrigo Mahlmeister, de 31 anos. Em seu site oficial, ele diz que tem interesse “na interseção entre política comparada e economia política da desigualdade, com foco na América Latina”.
Com habilidades em idiomas, sistemas operacionais e gerenciamento de dados, Mahlmeister, natural de São Paulo, se formou na Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, ele é estudante de doutorado em Ciência Política na Universidade Duke, dos Estados Unidos, e trabalha como assistente de pesquisa de Herbert Kitschelt, da Universidade de Duke, e Natalia Bueno, da Universidade Emory, tambem dos Estados Unidos.
Antes disso, atuou como analista de dados políticos na Concordia Public Affairs Strategies e pesquisador no Centro de Estudos da Metrópole, ambos de São Paulo. Modelo estatístico
O modelo desenvolvido por Mahlmeister é científico. Conforme relatado pelo Valor Pipeline, ele montou uma base de dados das eleições de 2022 e 2026 para comparar cada seção do Brasil.
Conforme as urnas vão sendo apuradas em tempo real, o sistema identifica mudanças no padrão de votação e projeta essas variáveis em seções com apuração pendente e de características similares como as sócio-econômicas. A base do projeto, salienta a reportagem, está nas regressões lineares.
O economista também utilizou o Claude, da Anthropic, para ajudar no refinamento do código e diminuir a margem de erro de 3% para menos de 0,1%. No primeiro turno das eleições, ele também havia acertado o resultado: Flávio Bolsonaro à frente com 47,03% dos votos válidos.
E, no segundo turno, conseguiu prever até as duas viradas que ocorreram ao longo da apuração - por volta dos 20%, Flávio Bolsonaro ultrapassaria Lula, que recuperaria a liderança por volta de 60%. Ao Valor Pipeline, Mahlmeister afirmou que o modelo é difícil de ser reproduzido em outros países, pois eles não têm o sistema de votação integralmente digitalizado como no Brasil.
E completou que só funciona para a apuração em tempo real das urnas, não servindo como boca de urna ou como pesquisa para antecipar a intenção de voto, e que aplicar o método para eleições municipais ou estaduais pode ser difícil, mas é possível. Mais Lidas
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