PF indicia Vorcaro e ex-presidente do BRB por fraude na venda de R$ 17,5 bilhões do Master

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A Polícia Federal indiciou o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa por suspeitas de crimes financeiros envolvendo a transferência de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito do Master para o banco público do Distrito Federal.

A investigação identificou indícios de fraude em pelo menos R$ 12 bilhões dos ativos negociados, principalmente por meio de operações de crédito consignado sem lastro comprovado. Segundo reportagem do jornal O Estado de S.

Paulo, publicada nesta quarta-feira (28), a PF concluiu o primeiro inquérito da Operação Compliance Zero e encaminhou o relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF). Vorcaro foi indiciado por cinco crimes, cujas penas previstas, somadas, variam de 12 a 41 anos de prisão.

O documento também aponta a participação de antigos dirigentes das duas instituições financeiras nas transações investigadas. Os investigadores atribuíram ao banqueiro os crimes de gestão fraudulenta, indução de investidor a erro em operação financeira, fraude à fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A situação de Vorcaro poderá ser agravada pela suspeita de que tenha exercido a liderança da organização criminosa. Paulo Henrique Costa, por sua vez, foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.

O relatório será submetido à avaliação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, responsável por decidir se existem elementos suficientes para apresentar denúncia contra os investigados. O indiciamento policial não equivale a uma condenação nem torna automaticamente os envolvidos réus.

PF aponta participação direta de Vorcaro nas operações A investigação sustenta que Vorcaro não se limitou a autorizar as transações na condição de controlador do Master.

Segundo os policiais, ele teria participado pessoalmente da preparação das carteiras de crédito, da obtenção de recursos junto ao BRB e da elaboração de documentos utilizados para justificar as operações. A PF identificou irregularidades na constituição dos ativos comercializados pelo Master, incluindo a utilização de bases de dados e documentos cuja autenticidade é questionada.

Parte das operações envolvia carteiras de crédito consignado supostamente fabricadas com a participação da empresa Tirreno, que mantinha ligações com o banco de Vorcaro. Os investigadores também apontaram deficiências nos mecanismos de controle do BRB, que teria adquirido ativos bilionários sem verificar adequadamente a existência dos contratos, a regularidade dos créditos e a documentação necessária para comprovar sua validade.

O relatório descreve operações aprovadas com base em informações apresentadas em planilhas eletrônicas, incluindo registros suspeitos de falsificação. Para a PF, os procedimentos adotados não atendiam às exigências de diligência e gestão de riscos aplicáveis às instituições financeiras.

Transferências continuaram após veto do Banco Central O volume de operações identificado pela investigação superou as estimativas iniciais.

Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o Master transferiu ao BRB aproximadamente R$ 17,5 bilhões em carteiras que reuniam diferentes modalidades de crédito. Além dos empréstimos consignados, foram negociados ativos relacionados a crédito pessoal, operações rotativas e parcelamento de faturas.

A PF constatou que as transferências continuaram mesmo depois da decisão do Banco Central de impedir a aquisição do Master pelo BRB, anunciada em setembro de 2025. A investigação identificou novas cessões de crédito em outubro daquele ano, um mês após a autoridade monetária barrar o negócio.

As transações ocorreram em um período no qual o Master enfrentava dificuldades de liquidez. Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que a instituição dependia dos recursos provenientes do BRB para cumprir compromissos financeiros.

Em uma conversa de 2 de setembro de 2024, Vorcaro demonstrou preocupação com a possibilidade de o banco público não disponibilizar os recursos esperados. “Tem notícia do BRB? Se não vier vou ter que devolver a grana de sexta e vamos usar compulsório hoje”, escreveu o banqueiro, conforme a investigação.

O depósito compulsório corresponde aos recursos que as instituições financeiras são obrigadas a manter recolhidos junto ao Banco Central, de acordo com as regras do sistema financeiro. Prejuízo ao BRB pode superar R$ 2,7 bilhões

A Polícia Federal identificou um prejuízo mínimo de R$ 2,7 bilhões ao Banco de Brasília, mas considera que o impacto financeiro definitivo poderá ser maior. A dimensão das perdas ainda depende da análise de outros ativos adquiridos pelo BRB e da possibilidade de recuperação dos valores envolvidos nas operações.

O relatório menciona que, entre julho de 2024 e outubro de 2025, o banco público adquiriu aproximadamente R$ 26,61 bilhões em carteiras de crédito do Master e do Will Bank. Desse conjunto de operações, mais de R$ 12 bilhões foram classificados como créditos problemáticos ou possivelmente inexistentes.

Cerca de R$ 10 bilhões teriam sido substituídos por outros ativos, cuja qualidade e capacidade de recuperação ainda estão sob investigação. O impacto financeiro também afeta a situação patrimonial do BRB, que busca alternativas para recompor seus recursos.

A instituição tenta obter um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), operação que permanece travada. O banco público também não havia divulgado seu balanço referente a 2025, segundo as informações apresentadas na reportagem.

Outros ex-dirigentes também foram indiciados O relatório da Operação Compliance Zero inclui outros nomes ligados à administração e às operações financeiras das instituições investigadas.

Entre os indiciados estão Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master; Ângelo Ribeiro, ex-diretor financeiro; Luiz Antônio Bull, ex-diretor de compliance; Alberto Félix de Oliveira, ex-superintendente financeiro; e o advogado Daniel Monteiro, que atuava para Vorcaro. A Polícia Federal atribui a esses investigados diferentes responsabilidades na estruturação, autorização e execução das operações questionadas.

O inquérito constitui a primeira investigação concluída no âmbito da Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025 para apurar suspeitas de irregularidades relacionadas ao Banco Master. A investigação, inicialmente concentrada nas relações financeiras entre o Master e o BRB, passou a examinar outros possíveis crimes depois da análise de informações encontradas no telefone celular de Vorcaro.

Investigados negam prejuízos nas operações As defesas de Vorcaro e Paulo Henrique Costa ainda não haviam apresentado manifestação sobre o relatório final da Polícia Federal até a publicação da reportagem original.

Nos depoimentos prestados na semana anterior, os dois negaram que as operações entre o Master e o BRB tivessem provocado prejuízos financeiros. Ambos sustentaram que as transações seriam vantajosas para as instituições envolvidas.

As conclusões da Polícia Federal, entretanto, apontam que parte significativa dos ativos negociados apresentava irregularidades e que os procedimentos de verificação adotados pelos bancos eram insuficientes. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, data em que a PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero e prendeu Vorcaro.

Com o encerramento do primeiro inquérito e seu encaminhamento ao STF, caberá à Procuradoria-Geral da República analisar a possibilidade de apresentar acusação formal contra os indiciados.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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