Quem é o ‘Pablo Escobar brasileiro’, segundo reportagem de jornal britânico

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

Toneladas e toneladas de cocaína enviadas da América do Sul para a Europa por meio de uma complexa rede de tráfico internacional de drogas, que envolve lavagem de dinheiro para bancar a logística criminosa de organizações de narcotraficantes: são essas as acusações que colocaram no banco dos réus um brasileiro em julgamento que está ocorrendo na Bélgica. Trata-se de Sergio Roberto de Carvalho, conhecido no Brasil como “Major“, enquanto é chamado no continente europeu de “Pablo Escobar brasileiro“. A referência é ao colombiano Pablo Escobar (1949-1993), que fundou e liderou o Cartel de Medellin e foi o nome mais conhecido do tráfico internacional de cocaína nos anos 1980.

De acordo com reportagem publicada nesta terça-feira, 20, pelo jornal britânico The Guardian, o brasileiro é o principal aliado de um criminoso belga chamado Flor Bressers, conhecido pela alcunha de “Cortador de dedos“, apontado como líder de uma organização criminosa. Contra Bressers, há ainda acusações de extorsão, cárcere privado e sequestro.

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De acordo com o The Guardian, os dois são considerados os responsáveis pelo transporte de 45 toneladas de cocaína desde o Peru, passando por Bolívia e atravessando o Brasil até os portos. A partir daí, a droga atravessava o Atlântico para abastecer diversos países europeus com o produto ilícito. Para colocar toda logística de pé, segundo investigações, a dupla liderava esquema de movimentação milionária em dólares por meio de empresas laranjas na Bélgica, criptomoedas e mercados financeiro e imobiliário. O brasileiro Carvalho nasceu em Ibiporã, no Paraná, cidade com pouco mais de 50. 000 moradores. Ele, no entanto, cresceu no Mato Grosso do Sul, estado que faz fronteira com a Bolívia e Paraguai, tornando-se parte da rota de drogas ilegais e armas clandestinas distribuídas no Brasil e na Europa. Ex-funcionário da polícia do Mato Grosso do Sul — por isso é chamado também de Major — ele se envolveu com crime nos anos 1990, quando foi condenado a quinze anos de prisão por tráfico.

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A partir dos anos 2010, ele se mudou para a Europa. Escondeu-se em Portugal e Espanha. Por fim, na Hungria, ele foi preso e levado para a Bélgica, entre 2022 e 2023. Durante todo esse tempo, de acordo com investigações, usou ao menos dez documentos de identificação falsos para escapar das autoridades públicas. Sua última identidade era a de um cidadão mexicano. O “Cortador de dedos” e o “Escobar brasileiro” negam os crimes e afirmam que não são ouvidos devidamente pela Justiça belga. A sentença do caso deve ser divulgada até o final deste ano.

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