Condenado na sexta-feira (16) a 12 anos de prisão nos Estados Unidos, o brasileiro Ygor Fokin Saviolli, de 35 anos, atuava como gerente e supervisor de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de US$ 30 milhões, incluindo recursos provenientes do tráfico de drogas. A investigação revelou uma rede que recrutava pessoas para coletar dinheiro em diferentes cidades americanas e transferi-lo para contas bancárias, com o objetivo de ocultar a origem dos valores. Entenda: Envolvido em esquema que levou à sanção americana, brasileiro é condenado a 12 anos de prisão nos EUA Saviolli foi detido no início de 2023, no Aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida. A análise do conteúdo de seu celular ajudou os investigadores a descobrir a operação e, no Brasil, as informações compartilhadas pelas autoridades americanas contribuíram para a deflagração da Operação Exchange, da Polícia Federal. Outros cinco acusados, quatro deles brasileiros, foram condenados em setembro por participação no esquema. Como funcionava a rede de lavagem de dinheiro Segundo a confissão apresentada à Justiça americana, Saviolli participou do esquema entre dezembro de 2022 e janeiro de 2025. Ele admitiu ter adiantado recursos para viabilizar as operações e supervisionado o recebimento e a lavagem de dinheiro em espécie proveniente da venda de substâncias controladas. Entre agosto e outubro de 2023, facilitou a lavagem de mais de US$ 3,5 milhões. As coletas eram organizadas por meio de mensagens no WhatsApp e envolviam pessoas recrutadas para viajar por ao menos 12 cidades dos Estados Unidos. O dinheiro era depositado em caixas eletrônicos e transferido para contas bancárias em Miami e em outros municípios. Segundo os documentos judiciais, Saviolli atuava com Victor Henrique Shimada, Stella de Oliveira e Gabriel Menezes na orientação dos participantes. Menezes cuidava de passagens, hospedagens e logística. As confissões também detalham a atuação dos responsáveis pelo transporte dos valores. Entre agosto e setembro de 2023, um dos participantes recolheu mais de US$ 1,5 milhão em endereços de Chicago, Atlanta, Cleveland e Rochester. Outro transportou US$ 867 mil no mesmo período. Os valores eram movimentados para dificultar a identificação de sua origem ilícita. Ligação com o PCC e sanções americanas O caso também levou a medidas contra Shimada e sua secretária, Stella de Oliveira. Em julho, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções econômicas contra os dois por supostas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a pasta, Shimada atuava como um elo entre o esquema financeiro e a facção, e utilizava criptomoedas para enviar recursos ao Brasil em benefício do grupo. Os documentos do processo criminal na Flórida, porém, não mencionam diretamente organizações criminosas brasileiras. Eles apontam que a operação beneficiava o mexicano Manuel Garcia-Urrea, conhecido como Manny, descrito como fornecedor de drogas. O jornal Miami Herald informou, ao noticiar as prisões em janeiro, que o dinheiro teria origem no tráfico de cocaína. As sanções contra Shimada foram as primeiras impostas pelos Estados Unidos a um brasileiro por vínculos com o PCC. Em junho, o governo americano classificou a facção como organização terrorista, ampliando a pressão sobre o grupo e suas redes financeiras internacionais.
Quem é o brasileiro condenado a 12 anos nos EUA por esquema de lavagem de US$ 30 milhões ligado ao PCC
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O Globo
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