Alvo de uma operação da Polícia Civil deflagrada na manhã desta quinta-feira (17) contra a infiltração do PCC no poder público e no sistema de transporte coletivo de São Paulo, o ex-vereador Milton Leite, do União Brasil, ocupou uma cadeira na Câmara de Vereadores por 27 anos, entre 1997 e 2024.
Milton Leite nega estar foragido e diz que vai se apresentar às autoridades em até 24 horas Dez pessoas são presas em operação que investiga infiltração do PCC no transporte coletivo em SP Ele também já presidiu o Legislativo municipal seis vezes. A primeira delas, durante a gestão de João Dória na Prefeitura. Em 2018, Leite foi reconduzido ao cargo, que ocupou novamente durante as gestões Bruno Covas e Ricardo Nunes, de quem também era aliado. Ao todo, o ex-vereador ocupou por seis anos a presidência da Câmara. Nesse período, a Casa aprovou, quase em modo “rolo compressor”, as demandas do prefeito Ricardo Nunes. Além disso, Leite é aliado de diversos agentes que ocuparam altos cargos nas gestões estadual e municipal. Um dos exemplos é Milton Persoli, considerado nome de confiança do ex-vereador, que presidiu recentemente, por exemplo, a Agência Reguladora de Transportes (Artesp). Há cerca de um ano, Persoli passou a presidir, nomeado por Ricardo Nunes, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Atuação nos bastidores da política Em 2024, Leite anunciou que deixaria de disputar eleições e que se desvincularia da vida pública. Apesar de disso, Leite continuou com atuação política nos bastidores.
Em 2024, indicou o vereador Ricardo Teixeira como seu sucessor na presidência da Câmara, além de apadrinhados na prefeitura, incluindo a mãe e a filha de sua ex-namorada, que ganhou cargo na CET. Ex-secretário de Mobilidade da capital também é alvo das operações Outro político alvo das operações, e preso nesta quinta, foi Levi dos Santos Oliveira, ex-secretário de Mobilidade da capital, nomeado por Ricardo Nunes e ex-presidente da SPTrans na gestão de Covas. Ele ingressou na SPTrans em 1991, onde fez a sua carreira na área de planejamento e chegou a diretor de Planejamento de Transporte da empresa em janeiro de 2017. Levi assumiu a presidência da empresa com o objetivo de administrar o transporte público da capital paulista e aparar arestas com as empresas de ônibus da cidade. Em nota, a defesa de Levi diz que ele não tem antecedentes, que construiu ao longo de décadas uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à capital, e que é referência técnica em sua área. Já Milton Leite se manifestou dizendo que não está foragido porque está viajando, e que se apresentará às autoridades em 24 horas para provar sua inocência.
CBN