Quem é Lucas Pavanato, aliado de Nikolas, que recebeu mais de 3 milhões de votos em São Paulo

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Fonte da notícia: Valor Valor

Deputado federal eleito por São Paulo, Lucas Pavanato (PL) recebeu mais de três milhões de votos, o que o deixa em segundo lugar no ranking de mais votados da história do país para a Câmara dos Deputados. Ele ficou atrás somente Nikolas Ferreira (PL-MG). Além de companheiros de partido, os dois são próximos e fizeram campanha juntos por diversas vezes. Ex-MBL, Pavanato diz que foi Nikolas quem o chamou para “andar com Bolsonaro” e que o fez “abrir os olhos para muita coisa”. Natural de Sorocaba (SP), Pavanato tem 28 anos, dois a menos que Nikolas, e perfil semelhante ao do mineiro nas redes sociais, com foco na pauta de costumes. Defende pautas como a proibição de procedimentos de transição de gênero em menores de 18 anos, o fim das cotas raciais e de gênero, e redução da maioridade penal para crimes hediondos.

Antes de se aproximar do bolsonarismo, no entanto, quando integrava o Movimento Brasil Livre (MBL), foi crítico da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Com 100% dos votos apurados, Pavanato recebeu 3.038.438 votos, o equivalente a 12,83% dos votos válidos em São Paulo. Ele ficou atrás apenas de Nikolas Ferreira, que obteve 3.119.051 votos em Minas Gerais. Os dois ultrapassaram o recorde anterior para deputado federal, de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que recebeu 1,84 milhão de votos em 2018. Enéas Carneiro havia obtido 1,57 milhão em 2002. Em São Paulo, a votação de Pavanato também contribuiu para o desempenho do PL na eleição proporcional. O partido conquistou 19 das 70 cadeiras destinadas ao Estado na Câmara dos Deputados, formando a maior bancada paulista. O PT, em federação com PCdoB e PV, ficou com 11 cadeiras. No sistema proporcional, utilizado para a eleição de deputados, os votos recebidos pelos candidatos são somados aos votos de seus respectivos partidos ou federações para a distribuição das cadeiras. Assim, a votação individual de Pavanato compôs o total obtido pelo PL e participou do cálculo que definiu a quantidade de vagas conquistadas pela legenda. Da militância no MBL ao bolsonarismo Pavanato se declara empresário e administrador. Segundo perfil publicado pela Câmara Municipal de São Paulo, sua trajetória política começou em São José dos Campos, onde sua família se estabeleceu.

Em entrevista ao portal UOL em 2024, ele contou que seu envolvimento político começou nas manifestações de 2013 contra o aumento das tarifas de transporte público, e disse que percebeu que a maioria dos participantes tinha posições de esquerda, que não correspondiam às suas. Em 2016, segundo disse na entrevista, passou a se identificar com as lideranças que participaram das manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Roussef. Pavanato integrou o MBL, grupo de perfil liberal e conservador. O movimento, que apoiou Jair Bolsonaro em 2018, rompeu posteriormente com o ex-presidente e passou a defender seu impeachment a partir de 2021. Em 2025, integrantes do MBL obtiveram o registro do partido Missão, e Pavanato passou a trabalhar no gabinete de Fernando Holiday, então vereador de São Paulo e uma das principais figuras do MBL. Começou como estagiário, administrando as redes sociais do vereador, depois virou assessor parlamentar e chefe de gabinete. Durante o governo Bolsonaro, Pavanato participou de programas e atividades do MBL que faziam críticas ao então presidente. Registros de 2020 mostram sua participação em conteúdos do "MBL News", programa do movimento nas plataformas sociais, com títulos como “O Psicopata Bolsonaro”, “Bolsonaro sugere golpe”, “Bolsonaro antivacina” e “Impeachment esquenta”. Nas eleições de 2022, ele disputou uma vaga de deputado estadual em São Paulo pelo partido Novo. Recebeu 36.258 votos e ficou como suplente, sem ser eleito. Naquele pleito, a menor votação entre os candidatos eleitos para a Assembleia Legislativa de São Paulo foi de 45.094 votos. Depois da eleição, Pavanato se afastou do MBL e passou a se aproximar do bolsonarismo. Na mesma entrevista ao UOL, afirmou que conheceu Nikolas Ferreira durante a campanha de 2022 e que a postura do deputado nas redes sociais contribuiu para sua mudança de posicionamento. Em uma publicação nas redes sociais, Pavanato afirmou que foi Nikolas quem o chamou para “andar com Bolsonaro” e que o deputado o fez “abrir os olhos para muita coisa”. Em 2023, o político se filiou ao PL. A filiação ocorreu no mesmo evento em que Fernando Holiday também entrou no partido, em julho daquele ano, ao lado de Bolsonaro. Na ocasião, Pavanato era tratado como ex-integrante do MBL. Nas eleições municipais de 2024, Pavanato foi vereador pela capital de São Paulo com 161.386 votos, tornando-se o vereador mais votado da história da capital paulista. Em fevereiro de 2026, em entrevista à Folha de S.Paulo, Pavanato afirmou que se arrependia das críticas que havia feito a Jair Bolsonaro quando pertencia ao MBL. Segundo ele, o próprio Bolsonaro o havia convidado para o PL e considerava as críticas anteriores “águas passadas”. Defensor da Maioridade penal e fim das cotas raciais Entre as propostas apresentadas por Pavanato durante a campanha para deputado federal estão a proibição de terapias hormonais como procedimentos de transição de gênero para menores de 18 anos, o fim das cotas raciais, de gênero e exclusivas para a população travesti, com substituição por critérios socioeconômicos, e a redução da maioridade penal para crimes hediondos. O candidato também defende iniciativas de combate ao aborto e de apoio e acolhimento às mulheres, a privatização de empresas estatais que apresentem prejuízo e a proibição da utilização de banheiros de acordo com gênero diferente do sexo biológico. Entre suas propostas estão ainda a proibição da participação de atletas em categorias esportivas diferentes de seu sexo biológico e a exclusão de estudantes repetentes ou envolvidos em atos de depredação do patrimônio de universidades. Em seu site de campanha, as propostas são apresentadas sob títulos como “Não existe criança trans”, “Fim das cotas”, “Fim da maioridade penal”, “Acabar com o aborto”, “Privatiza Já!”, “Proibir trans no banheiro feminino”, “Sem desigualdade no esporte” e “Acorda, estudante! Acabou a bagunça nas universidades”.

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