Os pesquisadores Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina nesta segunda-feira (5). Eles foram reconhecidos conjuntamente por descobertas sobre optogenética, uma técnica que permite controlar e estudar células nervosas por meio da luz.
Como funciona a optogenética
A técnica combina a luz com proteínas sensíveis a ela para controlar células nervosas. Na prática, os pesquisadores conseguem acionar neurônios específicos e acompanhar o que acontece no cérebro depois dessa ativação.
Esse controle permitiu estudar, em cérebros vivos, como determinados circuitos de neurônios estão relacionados a memórias, sentimentos e comportamentos. A técnica ampliou a capacidade de estabelecer uma relação entre a atividade de células específicas e determinadas funções cerebrais.
A base desse avanço foi descoberta por Peter Hegemann e Georg Nagel, que identificaram uma proteína chamada canalrodopsina em uma alga unicelular.
@@NOTICIAS_RELACIONADAS@@
A proteína chamou atenção por sua capacidade de responder à luz. Essa propriedade posteriormente foi transformada em uma ferramenta para estudar o sistema nervoso.
Karl Deisseroth utilizou a canalrodopsina como uma espécie de interruptor acionado pela luz em células nervosas. A optogenética permitiu identificar circuitos neurais relacionados a memórias, sentimentos e comportamentos específicos. Esses circuitos passaram a interessar também a pesquisas sobre distúrbios neurológicos e psiquiátricos.
De acordo com a Assembleia Nobel do Karolinska Institutet, as descobertas estabeleceram "as bases de uma nova era da neurociência" e transformaram a maneira como os cientistas investigam uma das questões centrais da área: como o cérebro funciona.
A técnica também passou a ser estudada para aplicações clínicas. Entre as possibilidades mencionadas está o uso da optogenética em tentativas de restaurar a visão de pessoas com deficiência visual.
Folha de Pernambuco