Quem é Dario Amodei? Saiba como CEO da Anthropic se tornou uma das vozes mais influentes no debate sobre IA

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O nome de Dario Amodei passou a dominar o debate sobre inteligência artificial nos últimos dias depois que o CEO da Anthropic publicou um ensaio defendendo que as empresas desacelerem o desenvolvimento dos modelos mais avançados de IA.

A proposta abriu uma divisão inédita entre os principais líderes do Vale do Silício: enquanto Amodei pede um "ritmo mais lento" para que mecanismos de segurança acompanhem a evolução da tecnologia, nomes como Donald Trump e Jensen Huang, CEO da Nvidia, rejeitam previsões mais apocalípticas sobre a IA. Mas quem é o executivo que hoje disputa protagonismo com Sam Altman, fundador da OpenAI, na corrida da inteligência artificial? Físico de formação, ex-líder de pesquisa da OpenAI e um dos criadores da técnica conhecida como Reinforcement Learning from Human Feedback (RLHF), Dario Amodei fundou a Anthropic em 2021 ao lado da irmã, Daniela Amodei. Em poucos anos, a empresa se transformou em uma das maiores rivais da OpenAI e ganhou espaço principalmente no mercado corporativo e de programação com os modelos Claude. Antes de criar a Anthropic, Dario Amodei foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI, onde liderou o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem, incluindo GPT-2 e GPT-3. No RLHF, o método utiliza avaliações humanas para treinar modelos de IA a produzir respostas mais úteis, seguras e alinhadas às instruções dos usuários. A técnica se tornou um dos pilares do ChatGPT e de praticamente todos os grandes modelos atuais. Antes da OpenAI, Amodei trabalhou no Google Brain como cientista sênior de pesquisa. Sua formação é em biofísica: ele fez doutorado em Princeton, como bolsista da Hertz Foundation, e realizou pós-doutorado na Escola de Medicina da Universidade Stanford. E quem é Daniela Amodei? Enquanto Dario lidera a área científica e atua como CEO, Daniela é presidente da empresa e responsável por operações, políticas públicas e expansão dos negócios. Os dois aparecem juntos na lista TIME100 AI de 2026, que reúne as pessoas mais influentes do setor – além disso, os dois formam a capa de setembro de Época NEGÓCIOS – que está nas bancas e no aplicativo Globo+.

Daniela Amodei, cofundadora da Anthropic e irmão de Dario Amodei Getty Images A Anthropic ultrapassou a OpenAI em avaliação de mercado e receita ao longo do último ano, impulsionada principalmente pelos modelos Claude voltados para programação e uso empresarial. O Claude Code se tornou um dos principais produtos da companhia ao oferecer um sistema especializado em escrever, revisar e depurar código, colocando a Anthropic no centro da disputa pela liderança da inteligência artificial generativa. Por que Dario Amodei defende desacelerar a IA? No último sábado, 13 de setembro, Amodei publicou o ensaio We Must Pace the Frontier ("Precisamos controlar o ritmo da fronteira", em tradução livre). No texto, ele afirma que os modelos de inteligência artificial evoluíram rápido demais e que os mecanismos de segurança não estão acompanhando esse avanço. A proposta não prevê interromper o desenvolvimento da IA, mas reduzir temporariamente o ritmo de aumento das capacidades dos modelos para ganhar tempo para pesquisas de alinhamento, interpretabilidade e avaliações independentes. O plano apresentado por Amodei tem três pilares: avaliadores externos trabalhando dentro dos laboratórios de IA; coordenação entre empresas e governos de países democráticos; e um esforço de cooperação internacional para estabelecer limites comuns de segurança. Segundo o executivo, a Anthropic será a primeira empresa a adotar voluntariamente o modelo de avaliadores independentes. Amodei afirma que, em 2023, não apoiava propostas de pausa no desenvolvimento da IA porque os sistemas ainda não apresentavam capacidades suficientes para justificar a medida. Ele diz ter mudado de posição por dois motivos. O primeiro foi a aceleração do chamado autoaperfeiçoamento recursivo, quando sistemas de IA começam a ajudar na construção de modelos ainda mais avançados. Já o segundo foi um incidente envolvendo agentes de IA da OpenAI e da Hugging Face, citado por Amodei como exemplo de comportamentos inesperados em sistemas autônomos.

Segundo seu relato, um grupo de agentes tentou realizar ataques fora da tarefa prevista e interferir no sistema que avaliava seu desempenho. Para Amodei, episódios desse tipo mostram que empresas precisam tratar riscos de desalinhamento como uma prioridade imediata. Embora defenda desacelerar a IA, Amodei afirma que os Estados Unidos não podem perder a liderança tecnológica para a China. No ensaio, ele propõe medidas como restringir a exportação de chips avançados para a China; impedir o contrabando de semicondutores; aumentar a segurança para evitar roubo dos pesos dos modelos e combater processos de destilação usados para reproduzir modelos de fronteira. Na visão do CEO da Anthropic, preservar uma vantagem tecnológica das democracias durante os próximos três a cinco anos é essencial para reduzir riscos geopolíticos. Amigos, rivais e… Amigos? Dario Amodei e Sam Altman trabalharam juntos na OpenAI durante o desenvolvimento dos primeiros grandes modelos da empresa. Hoje lideram duas companhias que disputam o mercado de IA generativa e defendem estratégias diferentes em alguns dos principais debates do setor. Nos últimos dias, porém, houve um ponto de convergência: Sam Altman declarou apoio à proposta de Amodei de discutir mecanismos para desacelerar o avanço das capacidades dos modelos enquanto normas e protocolos de segurança evoluem. Elon Musk, que também tem rivalizado contra Altman e Amodei, foi outro nome que endossou os receios sobre o avanço da tecnologia. Durante evento na Índia, Sam Altman e Dario Amodei mostraram que não superaram as desavenças da época em que ainda estavam juntos na OpenAI. Hoje, disputam para ver quem alcança primeiro a superinteligência. Ludovic Marin / AFP Ainda assim, a discussão rapidamente dividiu o Vale do Silício, com líderes como Jensen Huang defendendo que alertas de segurança devem ser levados a sério, mas rejeitando previsões de que a IA represente um risco existencial inevitável. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, apoiou Huang e se mostrou contrário ao posicionamento liderado por Amodei. “Os robôs não vão assumir o controle”, afirmou Trump em ligação a Huang durante evento. “A IA não vai assumir o controle do resto do mundo. Isso tudo é uma farsa”, disse.

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