A queda de 7,6% das exportações brasileiras para a China em setembro foi puxada pela forte redução dos embarques de carne bovina, afetados pela sobretaxa aplicada pelo país asiático. Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, as vendas do produto à China recuaram 93,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. Como mostrou o Valor, a quantidade de carne bovina brasileira importada pela China sob as medidas de salvaguarda atingiu 100% da cota prevista para 2026, de 1,106 milhão de toneladas. Com o limite esgotado, novas remessas que ingressarem no país asiático neste ano estão sujeitas a uma tarifa extracota de 55%, o que tem afetado o volume embarcado. Segundo Brandão, a queda das vendas de carne foi até maior do que a retração das exportações brasileiras totais para o mercado chinês no período. O crescimento dos embarques de outros produtos, por outro lado, ajudou a compensar parte dessa perda. Ele explicou ainda que parte da redução das vendas de carne para a China também tem sido compensada pelo aumento dos embarques para outros mercados, sobretudo os Estados Unidos. As exportações brasileiras de carne bovina para os EUA cresceram 524,3% em setembro na comparação com o mesmo mês de 2025. Brandão ponderou, no entanto, que o avanço em outros destinos não é suficiente para compensar integralmente a perda no mercado chinês, dado o peso da China nas exportações brasileiras do produto. No ano passado, o país asiático respondeu por 53% das exportações brasileiras de carne bovina. Já para os Estados Unidos, as exportações tiveram uma alta de 31,9% em setembro, mesmo com a vigência do tarifaço. Isso ocorre porque, diz ele, apesar do tarifaço americano ter atingido 23% da pauta exportadora brasileira, produtos relevantes ficaram de fora das sobretaxas, como carne bovina e café.
“Tivemos um movimento contrário este ano, que foi a retirada das tarifas de carne, então atualmente não tem tarifa de importação, mesmo a que vigia anterior ao tarifaço. E esse foi o produto que mais cresceu”, comentou. Além disso, as exportações brasileiras de café para o mercado americano também avançaram 108% em setembro, item importante na pauta exportadora e que ficou de fora do tarifaço.
Menor projeção de superávit A revisão de US$ 90 bilhões para US$ 84 bilhões na projeção de superávit da balança comercial brasileira em 2026 se deve principalmente à acomodação dos preços internacionais após a alta observada no primeiro semestre, segundo Brandão. Na estimativa anterior, feita no meio do ano, os preços de diferentes produtos estavam em trajetória de alta. Brandão citou o avanço das cotações do petróleo após o conflito entre Irã e Estados Unidos no início do ano, que também elevou os preços de produtos relacionados à commodity. Esse movimento acelerou os valores tanto das exportações quanto das importações e foi incorporado pelo modelo usado para projetar o saldo comercial. Nos meses seguintes, porém, esse movimento perdeu força. Com a acomodação dos preços, as taxas de crescimento do comércio exterior permaneceram significativas, mas abaixo das observadas anteriormente, levando à revisão da projeção. Ainda assim, o superávit de US$ 84 bilhões projetado para este ano seria o segundo maior da série histórica, atrás apenas do resultado de 2023, de US$ 98,9 bilhões. Diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão Valter Campanato/Agência Brasil
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